quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Aniversário de Luís e Gabriela

First Anniversary

                  To Luís Fernando and Gabriela



Let the years come
And never be afraid
Of the dark and stormy days:
- May her smile be your sun
- May his faih be your way


Live your own tales
Of love and toils
While you partake
So many human stories


And as time passes by
And leaves its traces
Of joy and sorrow
On souls and faces
You will know
That the journey and care
Of every day
Matter as much
As conqueing a reign


Fernando Saboia Vieira
Dez/19, AD

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Um pouco de poesia neste chuvoso fevereiro


manhã de um fevereiro chuvoso em Brasília



tudo amanheceu incerto
com o novo vírus da China
a assombrar o capitalismo internacional
e com essa chuva inesgotável
a turvar as mentes e os planos nacionais

medos, receios e futuros imprecisos
me anoitecem precocemente a alma
embora a manhã siga amanhecendo

mas vou viver o dia e perseverar
em perceber e participar do mistério
de existir, de sofrer e de amar

encontrar a Presença na minha solidão
o contentamento no desalento que me invade
o meu caminho na chuva ou no sol


Fernando Saboia Vieira
BsB, fevereiro 2020, AD





O Consolo de Deus: a Felicidade dos que Choram


“Felizes os que choram, porque eles serão consolados.”

Mateus 5:4

            Queridos companheiros de jornada em busca da vida interior,

            Faço aqui o registro de uma mensagem compartilhada na nossa comunidade no mês de janeiro deste ano.
            Trata-se de uma meditação sobre a bem-aventurança direcionada aos que choram!


O Consolo de Deus: a Felicidade dos que Choram


Encontramos no Sermão do Monte essa declaração ousada e paradoxal, pronunciada pelo único capaz de dar sentido, conteúdo e consequência a ela. Dita por qualquer outro seria ela irônica, falsa, fazia, enganosa e mesmo cruel, como pregação vazia de uma religião ufanista ou de um humanismo alienado.
Com efeito, a existência humana neste mundo é repleta de dores e de lágrimas. As alegrias tendem a serem, no mais das vezes, efêmeras, ilusórias e falsas, enquanto que as tristezas são experiências permanentes e reais. Além do sofrimento pessoal que cada um de nós deve suportar, compartilhamos aquele que nos atinge a todos como comunidade e como humanidade, proveniente das crises econômicas e sociais, das guerras, da deterioração do meio ambiente, da iniquidade na distribuição dos recursos do Planeta, das enfermidades e de tantas outras circunstâncias em uma era globalizada.
No entanto, quando atentamos para essas palavras de Jesus, entendemos que nem todos os prantos podem ou mesmo devem ser evitados. Algumas lágrimas são mesmo desejáveis, pois podem atrair a felicidade do Reino de Deus.
A bem-aventurança dos que choram, sua felicidade prometida por Jesus, é o consolo de Deus, da Sua Presença e companhia. Não a vitória, o sucesso, o final feliz. Não as compensações, recompensas e reconhecimentos. Nem mesmo o aperfeiçoamento pessoal. Os que choram lágrimas de quebrantamento e de dor diante das mazelas pessoais e deste mundo corrompido pelo pecado serão cheios do Espírito Santo, que é o Consolador enviado pelo Senhor para estar sempre conosco.


Uma parte importante do ministério dos antigos profetas era anunciar o consolo de Deus para o Seu povo que lhe seria trazido pelo Messias prometido (Isaías 40:1-11; 57:14-21; 61:1-4). Em Lucas 4:18-19 vemos que Jesus tomou sobre si o ministério da consolação. Ele é o nosso consolo e o nosso consolador.
Consolar (paraklesis) significa colocar-se ao lado de alguém para ajudar, animar, auxiliar, defender, interceder. Jesus prometeu aos seus discípulos que estaria sempre com eles por meio do Consolador, o Espírito da verdade que habitaria neles (João 14:1-31). Esse era o maior temor dos discípulos naquele momento em que finalmente compreendiam que o Senhor haveria de partir, o de que ficassem sós.
Também nós quando enfrentamos os caminhos escuros, os vales sombrios da vida, o que mais nos importa é perceber a presença do Senhor: “Tu estás comigo, tua vara e teu cajado me consolam”, escreveu Davi no Salmo 23, sobre a experiência do “vale da sombra da morte”. Jacó em fuga teve, em Betel, a revelação de que Deus estava naquele lugar. Os discípulos de Emaús caminhavam desolados após a morte de Jesus até serem animados e aquecidos pela companhia de Jesus.

É importante dimensionarmos o ministério do Consolador prometido por Jesus e que agora atua na Igreja:

- Ele está sempre conosco.
- Ele habita dentro de nós.
- Ele torna atual, viva e poderosa a presença do Pai.
- Ele atua comunicando continuamente a verdade, o poder e o amor de Deus.

Vemos, assim, algumas fontes e fundamentos do consolo que Jesus promete aos que choram:

- A certeza e experiência da paternidade de Deus.
- O amor de Deus derramado nos nossos corações.
- A convicção da soberania de Deus a governar todas as coisas.
- A misericórdia de Deus que se revela em perdão, graça, aceitação, relacionamento.
- A bondade de Deus que podemos perceber a cada instante em que vivemos.
- O propósito eterno de Deus que não poderá ser frustrado nas vidas daqueles que O amam e O buscam.

Mais alguns textos sobre consolo no Novo Testamento para neles meditarmos:

- Lucas 2:25-32
- Atos 4:36 e outros, sobre Barnabé
- Romanos 15:4-6
- 2ª aos Coríntios 1:3-7
- 2ª aos Tessalonicenses 2:16-17

Finalmente, somos chamados na Igreja para também exercermos o ministério da consolação nas vidas dos irmãos e das pessoas:

- 1ª aos Tessalonicenses 4:13-18; 5:4-11, 14
- 2ª aos Coríntios 13:14

            Identificamos uma profunda necessidade na Igreja e nesta geração da experiência desse consolo. Muitos choram lágrimas sem esperança, sofrem sem qualquer sentido ou promessa. Ansiedade, depressão, pânico, desespero são condições mais do que comuns em nossos dias. As pessoas as enfrentam muitas vezes sem consciência de suas causas e sem expectativas de cura e restauração. O sofrimento lhes parece inexplicável e invencível. Buscam paliativos ou se entregam às trevas que as cercam. É extremamente necessário que possamos encontrar esse consolo em meio às nossas próprias lágrimas e compartilharmos isso com dos demais.
            Consolar não envolve fazer promessas vazias ou dar explicações, mas tão somente colocar-se ao lado dos que choram e trazer para essas pessoas a presença de Deus, pelo socorro, pela oração, pelo companheirismo, pelo testemunho do consolo que nós mesmos recebemos do Pai. Oferecermo-nos como seus companheiros de jugo.

            “Chorai com os que choram”.


            Brasília, jan/fev 2020 AD.
            Fernando Saboia Vieira    

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Uma reflexão sobre os possíveis olhares


Possíveis Olhares

           
            Brasília, DF, em fevereiro de 2020, AD.

            Queridos companheiros de jornada em busca da vida interior,

            Há alguns anos, publiquei neste espaço virtual, uma “Crônica dos Possíveis Olhares”, onde propunha uma meditação sobre as palavras de Jesus no Sermão do Monte pelas quais Ele nos exorta a adotar uma maneira diferente de ver a realidade à nossa volta.

O texto está em


            Nesses dias, essa reflexão foi retomada na nossa comunidade em razão de experiências vividas por vários irmãos no ano passado, envolvendo circunstâncias diversas e mesmo intensos períodos de dificuldades e provações.

            Consideramos os seguintes textos do Evangelho de Mateus.

·         Mateus 5:8 – os puros de coração verão a Deus.
·         Mateus 6:22-23 – os olhos são as lâmpadas do corpo.
·         Mateus 6:26, 28 – é necessário olhar e ver como o Pai cuida de tudo.

Jesus nos convida a percebermos de modo diferente as circunstâncias da vida, as necessidades e os temores cotidianos que nos enchem de ansiedade. Ele nos leva a enxergar nas cenas e experiências normais e comuns do nosso viver – as aves dos céus, as flores silvestres – o cuidado do nosso Pai celeste e a, desse modo, encontrarmos confiança, esperança e descanso em Sua divina Providência, como Seus filhos.
Mas, devemos nos perguntar: o que nos impede, muitas vezes, de ver a Deus, de perceber Sua Presença, Sua misericórdia, Seu amor e Providência ao nosso redor e nas circunstâncias de nossa vida? O que nos atrapalha discernir a Realidade divina que envolve todas as coisas, visíveis e invisíveis, e abrange todos os aspectos de nossa existência?
O Senhor nos diz que, para termos essa revelação, são necessárias a pureza no olhar e a pureza no coração, unindo-se a percepção física exterior à compreensão interior.
Para onde e como devemos olhar? Isto é, em que devemos focar nossa atenção, pensamento, sentimento e cogitações? Gosto das expressões do salmista quando diz: “Tu, Senhor, lanças luz nas minhas trevas” (Salmo 18:28); e “Na tua luz vemos a luz”(Salmo 36:9).  
Precisamos buscar essa iluminação, essa pureza no olhar, na meditação na Palavra do Senhor, na atuação reveladora do Espírito no nosso espírito, na consideração de Seus poderosos feitos, na experiência de Sua misericórdia, na contemplação de Sua Face.
Mas, para, de fato, vermos a Realidade divina, é preciso cuidar da maneira como essas percepções são acolhidas no nosso coração. Nosso coração está em busca da pureza de fé, de intenção, de vontade e de amor ao Senhor? Ou está ele confuso e cheio de ideias e sentimentos conflitantes, de desejos, temores e fantasias, frutos de nossa própria alma?
O que atrai nossos olhares? O que nos turva o coração?
Em sua primeira Epístola, o apóstolo João nos adverte quanto aos nossos amores confusos, mesclados de mundo, que querem capturar nosso olhar e o nosso coração (1ª de João 2:15-17).
Não podemos nos colocar naquela situação dos que, mesmo vendo com os olhos, não acolhem com o coração, tornando-se, assim, cegos de visão e faltos de entendimento .
São nossos olhares dirigidos pela confusão do nosso coração, por nossa cobiça, medo, sonhos, conceitos, temores, fantasias etc., ou são nossos olhares atraídos pelo amor de Deus e dirigidos para o amar a Deus?
Afinal, o que é essa pureza de coração que nos permite ver a Deus? Em verdade, Deus só pode ser claramente visto por quem deseja e busca amar unicamente a Ele, para n'Ele, ter e amar todas as coisas!
Deus trabalha ativa e constantemente para purificar nosso coração e conquistar nosso integral amor a Ele. Ele quer nos purificar de nossos conceitos, ideias, limitações e nos trazer revelação da verdade, da eternidade, da perfeição. No entanto para, isso, torna-se necessário, não raro, passarmos por provações (Tiago 1:2-4).

Perguntamos, pois, novamente: como você vê a Realidade à sua volta? O que o seu coração diz sobre ela? Como você percebe as circunstâncias de sua vida, favoráveis ou adversas? Como elas repercutem no seu coração?
Trazemos aqui dois testemunhos, de duas jovens discípulas que enxergaram com olhos bons circunstâncias muito diferentes, e assim trouxeram luz para seus corações, os quais, uma vez purificados por sua fé, atenção e perseverança em amar a Deus, permitiram que elas tivessem uma revelação mais clara e intensa do Pai de sua glória e de Seu amor.
Júlia nos lembra da necessidade de vermos todas as coisas sob a perspectiva da eternidade, para considerarmos seu real sentido e valor. Seu testemunho está disponível em


Viviane nos traz um emocionante testemunho sobre enfrentar a dor e a enfermidade e enxergar, nessas difíceis circunstâncias, a Presença e o amor de Deus. Leiam em


Finalmente, sobre a pureza de coração, uma declaração, em forma de oração, de um notável filósofo e pensador cristão.

Pureza de Coração é Desejar uma Única Coisa

Pai, que estás nos céus! O que somos nós sem Ti? O que é todo o nosso conhecimento, por mais que o acumulemos, a não ser um pequeno fragmento, se não conhecemos a Ti? O que são todos os nossos esforços, ainda que abarquem um mundo inteiro, a não ser um trabalho nunca terminado, se não conhecemos a Ti: o Único, Aquele que é a Única Coisa e que é todas as coisas?
Que Tu dês, então, ao intelecto, sabedoria para compreender essa Única Coisa;
Ao coração, sinceridade para receber esse entendimento;
À vontade, a pureza que deseja uma Única Coisa.
Que, na prosperidade, Tu concedas perseverança para desejar uma Única Coisa;
Em meio às distrações, recolhimento para desejar uma Única Coisa;
No sofrimento, paciência para desejar uma Única Coisa.
Tu que propicias tanto o início quanto a plenitude,
Que Tu possas, logo cedo, ao nascer do dia,
Dar ao jovem a resolução de querer uma Única Coisa.
À medida que do dia declina,
Que Tu dês ao ancião uma lembrança renovada dessa primeira resolução,
De modo que o primeiro seja como o último e o último como o primeiro,
No decurso de uma vida que desejou uma Única Coisa.


Søren Kierkegaard (1813-1855)

InPrayers from the Heart”, Foster, Richard, ed. Harper/Collins.
Tradução: Fernando Sabóia Vieira


      Que a suficiente graça de Jesus seja com o espírito de cada um de vocês.

                              Fernando Saboia Vieira

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Santificação da Vida Comum


Brasília, DF, em janeiro de 2020, AD.


Caros companheiros de jornada em busca da vida interior,

Compartilho alguns pensamentos sobre a necessidade de vivermos a Presença de Deus momento após momento, em nossa vida comum.


Santificação da Vida Comum


- Colossenses 3:17

         “E tudo o que fizerem, seja em palavra, seja em ação, façam em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”

- Colossenses 3:23-24

         “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servido.”

- 1ª aos Coríntios 16:14

         “Façam todas as coisas com amor.”


APROXIMAÇÃO


Como filhos de Deus, somos chamados a viver uma vida completa, santa e plena de sentido, valor e significado. Essa é a essência do seu propósito para nós, sermos um povo e família que reflete e vive o amor do Pai.
Ocorre que muitas vezes pensamos que isso significa viver e fazer grandes e maravilhosas coisas para Deus. Ouvimos muitas histórias de sucesso pessoal e ministerial medido em números de exposição midiática e de resultados financeiros, relatos de “start up” espirituais, de movimentos impactantes, lendas e mitos de homens e mulheres, fortes, empreendedores, motivadores, quase sobre-humanos.
Assim, criamos expectativas e alimentamos sonhos tremendos sobre nós mesmos, sobre nossas famílias, profissões, ministérios. Imaginamos e buscamos viver vidas perfeitas, assumimos uma visão desencarnada da espiritualidade que nos afasta da vida humana que fomos de fato chamados a viver a cada dia de nossa jornada.
Esquecemos que, com a vinda de Jesus, Deus assumiu a forma e o viver humanos, e não os homens foram chamados a viver como deuses!
Embalados pelos ventos da modernidade que prometem sucesso e realização a todos por meio de métodos tidos como “científicos” (em moda, no momento, a tal neurociência e o paradigma do empreendedor individual de sucesso), pelos quais criam ilusões emocionais sobre si mesmos e sobre a vida real, muitos cristãos passam a fazer “planejamentos estratégicos” com suas vidas, tentam se tornar empreendedores do próprio sucesso.
Estabelecem alvos elevados para suas realizações pessoais e mesmo espirituais, elegem prioridades, traçam propósitos, metas, planos e projetos, escolhem indicadores de eficiência, e aderem aos novos gurus e profetas da religião humanista deste século: os tais “coachs”, “influencers”, blogueiros, famosos, subcelebridades etc., gospeis ou incircuncisos, que impressionam com seus gritos e frases de efeito, seus truques motivacionais, suas estrambóticas peripécias cênicas, suas performances extravagantes nas redes sociais, suas palavras impactantes, frases, mantras e jargões hipnóticos e, principalmente, com suas piruetas e contorcionismos conceituais.
Oferecem com notável descaramento uma mescla de psicologia popular em linguagem neurológica, pseudocientífica, misticismo frouxo de várias tonalidades, versões enviesadas de cristianismo e de outras religiões, ufanismo, hedonismo, materialismo, egocentrismo e tudo o mais o que configura a mentalidade secular humanista. Os únicos que, de fato, ficam ricos e prosperam com o “método poderoso” que anunciam, curiosamente, são eles mesmos, e os que se tornam seus discípulos, franqueados ou piramidais!
Todavia, ao importar os métodos do mundo, fatalmente importamos também, às vezes sem sequer nos darmos conta disso, seus conceitos fundantes: sua visão do homem, da vida, do sentido da existência, dos valores. Métodos nunca são neutros. São fundados em crenças (científicas, ideológicas ou espirituais) e servem para alcançar alvos coerentes com essas convicções essenciais. Alvos espirituais só são alcançáveis por meios espirituais, assim será o fruto como o for a semente.
Infelizmente, nesse “combo”, as pessoas também inevitavelmente importam os efeitos colaterais dessa pretensa panaceia e as consequências inevitáveis dessa ilusão: a ansiedade, a frustração, o vazio, o medo, as dúvidas, a tristeza e a depressão, uma vez que, ao fim de tudo, não há como escapar da finitude da vida e da futilidade de quaisquer conquistas que se tornarão simplesmente nada com a morte.
Mas permanece a questão colocada de início: o que significa viver essa vida plena e completa em Deus e como podemos caminhar nessa direção? De que maneira a vida com o Senhor pode ser vivida em histórias humanas comuns, por pessoas que precisam trabalhar, cuidar da família, enfrentar as dificuldades econômicas e sociais, as enfermidades e adversidades da existência e mais os desafios da espiritualidade, da santidade, de ser discípulo, testemunhar a fé, anunciar o Reino, fazer discípulos e edificar a Igreja?
É nesse contexto que propomos aqui uma abordagem mais integrada e vivencial da espiritualidade, que não seccione a vida em vida espiritual e vida natural, mas que possa nos dar uma perspectiva de Deus, de Sua Presença e propósito em tudo o que fazermos a cada hora do dia que temos que viver concretamente, em nossa existência normal, em nossas atividades ordinárias. Por isso escolhemos para essa reflexão o título de “Santificação da Vida Comum”.


A SANTIFICAÇÃO DA VIDA COMUM

        
Santificar a vida comum significa ver o sentido eterno das coisas efêmeras. Não necessariamente viver grandes experiências, mas dar sentido e valor a cada uma, especialmente às mais comuns, que constituem nossa vida real cotidiana. A vida que de fato nós vivemos, não aquela com que sonhamos, com que nos iludimos.
A essência do sentimento de vazio e da ansiedade que adoece o homem moderno está na perda do sentido, do valor e do significado das lutas da vida comum que somos obrigados a viver. Suas raízes mais profundas estão na própria natureza humana: criados para uma vida com Deus, com os irmãos e conosco mesmos, mas condenados a uma vida exilada de Deus, dos outros e de nós mesmos.
A proposta de Jesus contra a ansiedade no Sermão do Monte aponta para as preocupações da vida comum: o alimento, o vestuário, o dia de amanhã. São essas inquietações que tiram nosso olhar do cuidado do Pai e levam nossa alma a vagar em lugares áridos do medo, da frustração, da insegurança, do vazio existencial.
No livro do Eclesiastes encontramos um testemunho contundente sobre esse vazio de valor e de significado que envolve toda a existência e todas as atividades e conquistas humanas “debaixo do sol” – nada tem sentido eterno, a vida é uma imensa ironia. O Pregador narra sua busca vã por sentido nas riquezas, nos prazeres e até mesmo na sabedoria, experimentando, ao final, o ceticismo, a tristeza e o desânimo que tanto caracterizam os homens modernos.
Vemos que as raízes mais profundas da ansiedade humana se revelam nessas tentativas de preencher o vazio existencial diante do inevitável desfecho da morte. Fazendo ou não fazendo, permanecemos inquietos e ansiosos quanto aos frutos de nossas escolhas, os riscos e custos envolvidos nos negócios da vida, o caos da existência, as opressões e dificuldades, a insegurança do dia de amanhã.
O fato é que não podemos tornar nossa vida – aquela que, de fato, nós vivemos, não aquela angelical em busca da qual muitas vezes nos desgastamos e nos iludimos – algo como uma odisseia, uma olimpíada, um supercampeonato, um “master chef”, algum tipo de “reality show” que, na verdade, tem muito de “show” e nada de “reality”!
Temos uma vida comum para viver, e ela nos ocupará a maior parte do nosso tempo e é ela que determinará o sentido e o valor de nossa existência, momento após momento, e nos dará plenitude de espírito, alma e corpo, a despeito de quaisquer projetos grandiosos em que eventualmente possamos estar envolvidos.
A cada dia, vamos acordar de manhã, tomar banho, fazer o café, cuidar da casa, dos filhos, ir à rua, trabalhar, ir ao mercado, pagar as contas, lidar com o caos da vida, enfrentar as dificuldades, a carestia, os perigos. Vamos nos relacionar com pessoas, boas ou nem tanto, sob o sol e a chuva, compartilhando os espaços, o ar, a água, a cidade, o país, o planeta.
         Podemos ter pelo menos duas maneiras negativas de considerar essa vida comum: uma, tê-la como um incômodo e uma interferência nos nossos planos e sonhos de vivermos uma vida plena e feliz, repleta de intensas experiências pessoais, espirituais, emocionais etc.; outra, podemos nos perder nas tarefas, rotinas e obrigações impostas por essa realidade e vivê-la alienadamente, assumindo sua falta de sentido.
         Os textos bíblicos citados ao início nos chamam, todavia, a algo muitíssimo diferente. Eles nos exortam a darmos sentido, valor e significado espiritual e eterno a cada ato, momento, gesto, tarefa e experiência da vida comum, momento após momento.
É em nossa vida cotidiana, nas escolhas que fazermos e em nossa disposição de coração em cada situação que tornamos concreta nossa consagração ao Senhor, nosso reconhecimento do Seu governo sobre nós, nossa gratidão e nosso amor a Ele e às pessoas a quem Ele ama.
Não é “espiritualizar tudo” no sentido de uma generalização religiosa que retira toda a substância concreta dessa expressão e produz novamente o vazio, numa desconexão com a existência encarnada que temos que viver, mas, sim, santificar tudo a Ele, compreendendo que esse tudo que deve ser feito “em nome do Senhor”, “de todo o coração”, “para Ele” e “com amor” significa cada ato, cada momento, cada ação, cada parte do nosso ser, sentir e agir.
         Vivemos apenas um momento e uma experiência de cada vez. Nossos olhos só focam um ponto e nosso pensamento só pode se concentrar em uma ideia de cada vez. É nessa particularidade que vivemos e pensamos concretamente e é nela que devemos expressar nossa espiritualidade, momento após momento. É nessa atenção recolhida a cada tarefa que está diante de nós que encontramos a comunhão contínua com o Pai e a percepção de sua constante Presença.
         A multifuncionalidade tão valorizada na sociedade moderna é desumanizante. Exila a alma, faz com que ela esteja sempre a vagar, a se dispersar e a se gastar por lugares distantes, onde consome todas as suas energias vitais. Nunca atenta ao presente, àquilo que é chamada a viver, fazer, suportar, experimentar momento após momento.
         Um foco de visão, de pensamento, de sentimento, de atenção e de amor de cada vez. É essa atitude que nos integra e que pode tornar o ideal real. Alguém já disse que é muito mais fácil amar a humanidade do que amar o próximo: a humanidade é uma abstração, um conceito; o próximo é concreto, não idealizado. Não se pode hoje reviver o passado nem antecipar o dia de amanhã. Apenas temos para viver o dia que se chama Hoje.
         Os nossos projeto e sonhos mais caros precisam ser construídos a cada dia: cada aula do curso até a formatura, cada dia de trabalho para cumprir uma carreira, cada interação com os filhos para formá-los, cada momento com as pessoas para amá-las, cada respirar para adorar a Deus e para experimentar o dom precioso da vida e a graça que Ele concede e torna concreta instante após instante.
         Somos chamados para amar e servir a Deus a cada dia em cada atividade ou tarefa, mesmo e principalmente aquelas da nossa vida comum. Não somos chamados a viver como anjos, mas como seres humanos. As parábolas de Jesus quase sempre se referiam a situações vividas pelas pessoas no seu cotidiano, no trabalho, em casa, na comunidade. É nelas que o Reino deve ser manifestado.
         O importante é não nos dividirmos, mas nos integrarmos. Não fazer e orar ao mesmo tempo, mas tornar, cada um por sua vez, a tarefa oração e a oração serviço. Não é estar aqui como o pensamento e atenção em outro lugar, mas viver inteiramente o momento e a experiência que o Senhor nos proporciona, seja no trabalho, seja nos cuidados comuns da vida, seja nas conversas triviais da convivência humana.
         Não tente fazer o café e orar ao mesmo tempo. Possivelmente, não será um bom café nem uma oração adequada. Se a você cabe a tarefa de fazer o café você deve se esmerar nisso e confiar que Deus está naquele momento cuidado dos anseios do seu coração! Faça o café de todo o coração, com amor, como para o Senhor! Essa é sua oração e serviço num só gesto.


PRINCÍPIOS DE SANTIFICAÇÃO DA VIDA COMUM


·         Tudo e cada coisa em nome de Jesus, dando por Ele graças a Deus (Colossenses 3:17).
·         Tudo e cada coisa de todo o coração, como para Ele. (Colossenses 3:23-24).
·         Tudo e cada coisa com amor (1ª aos Coríntios 16:14).

Esses princípios tornados práticas nos mantêm na Presença de Deus, dos outros, de nós mesmos e nos dispõem ao tão necessário recolhimento que nos leva à paz, à alegria e ao contentamento.
Eles também tratam imensamente nosso caráter, forjando humildade, nos dispondo ao serviço, levando-nos à dependência de Deus.
Vivendo por eles encontramos o sentido e o propósito do nosso viver mesmo em meio às lutas e apesar do caos das circunstâncias.

Caros, antes de mudarmos nossas agendas, vamos buscar mudar nosso coração.

Que a suficiente e poderosa graça de Jesus seja com o espírito de vocês.

Brasília, janeiro/fevereiro de 2020, AD.



Fernando Saboia Vieira


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Aposentadoria

Estou me aposentando. Segue a mensagem que escrevi aos colegas.

Brasília, em 30 de abril de 2019.

         Colegas,

         Aposento-me.
         O mundo que existia quando em 1981, aos 20 anos de idade, subi a rampa do Anexo I da Câmara dos Deputados pela primeira vez, para tomar posse no cargo de Assistente Legislativo, era muito diferente daquele que encontro ao descê-la agora, por último, aos 58.
E eu também!
         As palmeiras imperiais eram jovens e havia cisnes negros – presentes da Rainha da Inglaterra, ao que se dizia - a nadar no espelho d’água. O horizonte era limpo, verde e azul, mas um silêncio que eu não entendia muito bem dominava a Esplanada.
         Minha geração testemunhou, entre dois séculos, um período de transformação talvez inédito na história humana, pela velocidade dos processos e pela qualidade das mudanças. Vivi isso muito intensamente aqui na Câmara dos Deputados, com o final do regime militar, a redemocratização, a Assembleia Nacional Constituinte, a ressurreição do Parlamento brasileiro, a refundação política e administrativa da Casa para atender aos novos tempos e demandas advindos das reconfigurações do mundo e da sociedade na chamada modernidade. Sei que fui privilegiado por ter tido a oportunidade dessa experiência profissional e pessoal.
         Hoje, as palmeiras estão adultas, não há mais cisnes no espelho d’água e no horizonte sempre fantástico de Brasília se vê menos natureza e mais cidade. E o silêncio abandonou a Esplanada. O desafio agora é distinguir as vozes que nela reverberam, seu sentido e razão. Elas são ecos do passado, vibrações do presente e utopias do futuro.
         Despeço-me.
         Muito feliz e agradecido a Deus por tudo o que pude viver, aprender, testemunhar e tomar parte ao longo desses anos. E, de modo especial, pelas pessoas que encontrei e com quem me relacionei. Ao final da jornada, percebemos que importa mais a maneira como fazemos as coisas do que as tarefas em si mesmo consideradas. Eu sempre encontrei nos lugares por onde passei na Câmara colegas, parceiros, instrutores, conselheiros, cooperadores, amigos. Fizemos mais do que bons trabalhos, construímo-nos como profissionais e como seres humanos.
         Gosto de Thomas Merton: “O homem é um ser livre que está sempre se transformando em si mesmo. Mas essa mudança nunca é neutra: estamos a cada escolha nos tornando melhores ou piores”. Meus caros, que Deus ilumine  e dirija suas escolhas ao longo da jornada, na profissão e na vida.
         Deixo, assim, meu abraço e minha gratidão aos colegas do Departamento de Administração, do Departamento de Pessoal, da Consultoria Legislativa, do Cefor e da Secretaria-Geral da Mesa, onde trabalhei, e a todos os dos demais órgãos com quem tive relacionamento pessoal e profissional próximos.
         Faço uma menção especial aos que dividiram comigo o espaço transformador da sala de aula, como gestores, educadores, professores, colaboradores, colegas e alunos. Acredito que na coragem e na generosidade de construir coletivamente e compartilhar o conhecimento está o caminho para a transformação das pessoas, sem o que nenhum avanço é possível ou terá valor nas construções humanas. Nos momentos mais difíceis e de maior desalento é aí que nosso esforço deve se concentrar, pois só assim haverá esperança de dias melhores.
         Finalmente, não posso deixar de destacar os amigos e amigas da Secretaria-Geral da Mesa que compartilharam comigo mais de 25 anos de caminhada, às vezes turbulenta, quase sempre intensa e desafiadora. Aos mais antigos, agradeço a lealdade, a parceria e a cooperação. Aos mais novos preciso expressar meu emocionado constrangimento com o carinho e a honra imerecida com que me trataram nesses últimos anos de carreira. Vou sentir muita falta das conversas, dos debates, das discussões, dos novos olhares de vocês aos antigos dilemas do Parlamento. Espero continuar, de alguma forma, a participar disso!
         Vamos continuar nos encontrando, sem dúvida.
         Muito obrigado a todos vocês.

         Soli Deo Gloria!

Fernando

PS: Um pouco de poesia, nesses tempos inóspitos e confusos.


Ciclos da vida e do tempo

I

Um pouco de solenidade
Nos gestos comuns da manhã:
Escovar os dentes
Sentir a água morna do banho
O primeiro toque ameno do dia
O ritual do nó da gravata
A primeira lembrança da lida

Demorar um pouco mais
Ao olhar e ver pela janela
O sol que se levanta
Iluminando a chuva que cai
Fazendo brilhar – e desaparecer –
O orvalho da madrugada
Como inspiração de viver
Os ciclos da eternidade

Um pouco de suavidade
Nas primeiras palavras
Um certo respeito ao silêncio
Como busca de uma atenção
Mais clara, mais admirada
À consciência da Presença

II

Meus passos andam sozinhos
Nos salões e túneis
Por onde o tempo não caminha
Embora nos surpreenda
Com inesperados percalços
E rostos jovens
E rostos envelhecidos

Salão Negro, solene
De festas e velórios
Salão Branco, funcional
Com a inexplicável chapelaria
Sem chapéus – sem cabeças? –
Salão Verde, desgastado, encardido, renovado Com sua arte invisível, incompreendida Perdida em meio a tantos perdidos passos

Corredores onde correm o bem e o mal
Profecia e alucinação
Demônios federais, estaduais e municipais E um ou outro anjo desgarrado Numa missão impossível

III

Na vida
É necessária uma certa liturgia
Para que nem tudo seja profanado
Na necessária eficiência da rotina

Menos humanos seremos
Se não nos tornarmos mais divinos


Fernando Sabóia Vieira
De “Ciclos das Terras dos Mundos e dos Sentimentos

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Fernando Dídimo

Primaveras em silêncio



Continua havendo esperanças
de flores, verdes e chuvas
na mudança da estação.

Mas há um silêncio
em algum lugar profundo
de minha alma.

Celebramos a vida e as canções
nos sorrisos e vozes
dos nossos pequeninos
que ainda não sabem dos silêncios.

Silêncio do piano da sala
dos abraços festivos
das histórias engraçadas
das palavras expressivas, vivas, acolhedoras.

Minhas primaveras continuam coloridas
mas há um silêncio...


23/09/2019

Fernando Sabóia Vieira


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Sobre as histórias que ouvimos e contamos uns aos outros



Histórias Contadas em Silêncio



Não simplesmente ouço suas histórias,
Contadas com palavras, gestos, olhares e silêncios:
Eu as recebo, as concebo, elas nascem dentro de mim,
Habitam minha alma e eu passo a nelas habitar
Como personagem e co-autor,
Elas se tornam histórias da minha própria história.

Suas histórias, eu as sinto, eu as vivo, as levo comigo,
Sofro seus dramas, carrego seus temores e seus sonhos,
Alegro-me e desespero-me com elas:
Tornam-me mais plural, mais pleno, mais humano,
Mais frágil e também mais forte.

Sigo afligido e consolado por essas histórias,
Que me acordam de madrugada,
Comigo conversam o dia inteiro
E me fazem meditar ao anoitecer
No dom precioso da vida,
Nos profundos e misteriosos caminhos
Do Deus sempre revelado e sempre oculto,
Na suficiente e surpreendente graça de Jesus,
Na infinitude do Espírito Criador e Consolador
Que tudo move, envolve, renova, vivifica...


Fernando Sabóia Vieira,
de "A Explosão de Silêncio", 2012, ainda inédito.



terça-feira, 20 de agosto de 2019

Viver e Passar



Viver e Passar


vivo,
quero dizer, passo
ou por mim passam
os ventos e as ondas
da vida que se faz, desfaz, refaz
e é eterna
porque está sempre a passar

passo,
quero dizer, vivo
ou em mim vivem
as fontes e as energias
do passar e do viver
no eterno pensar e pulsar
do Espírito de Deus

vivo, no passo que passo

passo, na vida que vivo



Fernando Saboia Vieira

De "Crônicas Alegres para esses meus Tristes Dias", 2019, inédito.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Novo Ano, Novo Homem

Imagem e Semelhança

Thomas Merton


         Mas quando Deus fez o homem Ele fez mais do que ordenar sua existência. Adão, que foi criado para ser o filho de Deus, o ajudador de Deus na tarefa de governar o mundo que Ele criara, foi misteriosamente formado por Deus, como nos diz frequentemente o Antigo Testamento, como um oleiro forma um vaso de barro. “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2:7, ARA).

         A vida de Adão, isto é, o “fôlego” que dava realidade, existência e movimento a toda a pessoa do homem, procedera misteriosamente da profundeza íntima da vida do próprio Deus. Adão não foi criado meramente como um animal vivo e movente que obedecia ao comando e vontade de Deus. Ele foi criado como um “filho” de Deus porque sua vida compartilhava algo do fôlego, ou Espírito, do próprio Deus. Pois “fôlego” é o mesmo que “espírito” (a palavra latina espírito está relacionada a spirare, respirar). 

         A criação de Adão não foi apenas uma concessão de vida, mas uma concessão de amor e sabedoria, de maneira que no exato momento em que passou a existir Adão foi, pela virtude dos dons sobrenaturais e prenaturais que acompanhavam todos os seus dons naturais, em algum sentido, “inspirado”. Se a expressão for permitida, a própria existência de Adão deveria ser um tipo de “inspiração”. Deus não pretendia apenas conservar e manter a existência corporal de Adão. Ele também estimularia e desenvolveria ainda mais direta e intimamente a vida e atividade espirituais que eram a razão principal para a existência de Adão.

         Adão, desse modo, foi criado para desde o princípio viver e respirar em união com Deus, pois assim como a alma era a vida do corpo de Adão, deveria o Espírito Santo se movendo em Adão ser a vida de sua alma. Para Adão, viver significaria “ser inspirado” – a ver as coisas como Deus as vê, amá-las como Deus as ama, ser movido em tudo em êxtase pelo Espírito de Deus. Desse modo, para Adão, êxtase não era de modo algum uma interrupção violenta da rotina normal da vida. Não poderia haver violência ou alienação numa vida assim: no Paraíso, êxtase é normal.

         Merton, Thomas. “The New Man”, Image and Likeness. Tradução de Fernando Saboia Vieira.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Para o Novo Ano

Brasília, em 1º de janeiro de 2019, AD.


Caros companheiros de jornada em busca da vida interior,



Nesse ano que começa, não quero ser avaliado por minhas eventuais vitórias, mas pela qualidade de minhas lutas, pois a Ele já pertence a toda a vitória;

Não pelos bens que possa adquirir, mas pela fidelidade e bondade que marcarem meu serviço e mordomia em relação aos que me forem confiados por Aquele a quem pertencem todas as coisas;

Não quero ser reconhecido pelo conhecimento e sabedoria que venha a obter, mas pela humildade e temor que tenham sido depositados no meu coração, porque n'Ele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento;

Não pelas realizações e sucessos que possa alcançar, mas pela glória que minha vida venha a trazer ao nome daquele a quem pertence toda a Glória;

Não quero ser considerado pelo impacto e influência de minha vida nas vidas das pessoas, mas pela saudade do Pai que minhas ações e palavras possam produzir em seus corações.


Que a graça de Jesus seja com todos.

Fernando Sabóia Vieira




terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Preces de ano novo

Ano Novo
“Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim...

Não começar nada
Sem Aquele que é o Começo de tudo
O Princípio
O Renovo
O Alfa
A Sabedoria da criação

Não continuar nada
Sem Aquele que é o Sentido de tudo
A Palavra
A Força
A Alegria
O Dom de existir

Não alcançar nada
Sem Aquele que é o Fim de tudo
O Alvo
O Destino
O Ômega
A Vida abundante

Fernando Sabóia Vieira
De “Café com Poesia”, meados da década de 90.