domingo, 17 de maio de 2020

Sermão do Monte na Pandemia: Os que Choram

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”
Mateus 5:4


         Queridos companheiros de jornada em busca da vida interior e de travessia desse vale sombrio da pandemia que assola a humanidade nesses dias,

         Encontramos no Sermão do Monte essa declaração ousada e paradoxal, pronunciada pelo único capaz de dar sentido, conteúdo e consequência a ela. Dita por qualquer outro seria ela irônica, falsa, enganosa e mesmo cruel, como pregação vazia de uma religião ufanista ou de um humanismo alienado.
Com efeito, a existência humana neste mundo é repleta de dores e de lágrimas. As alegrias parecem ser, no mais das vezes, efêmeras, ilusórias e falsas, enquanto as tristezas se apresentam como experiências permanentes e reais. 
Além do sofrimento pessoal que cada um de nós deve suportar, compartilhamos aquele que nos atinge a todos como comunidade e como humanidade, proveniente das crises econômicas e sociais, das guerras, da deterioração do meio ambiente, da iniquidade na distribuição dos recursos do Planeta, das enfermidades e de tantas outras circunstâncias em uma era globalizada.
Meus caros, é importante, nesses dias, nos lembrarmos de que a bem-aventurança dos que choram, sua felicidade prometida por Jesus, é o consolo de Deus, da Sua Presença e companhia
Não a vitória em todas a lutas, o sucesso nos empreendimentos, a realização dos sonhos, o final feliz de todas as histórias. Não a eliminação de toda dor e sofrimento. Não as compensações, recompensas e reconhecimentos. Nem mesmo o aperfeiçoamento pessoal. 
Os que choram lágrimas de quebrantamento e de dor diante das mazelas pessoais e deste mundo doente e corrompido pelo pecado serão cheios do Espírito Santo, que é o Consolador enviado pelo Senhor para estar sempre conosco. 
Essa é a suprema felicidade oferecida por Deus aos homens: Ele mesmo! Nas palavras de Santo Agostinho: “Buscar a Deus é buscar a felicidade. Encontrar Deus é a própria felicidade”.
Uma parte importante do ministério dos antigos profetas era anunciar o consolo de Deus para o Seu povo que lhe seria trazido por meio do Messias prometido:

“Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Falem ao coração de Jerusalém e anunciem que o tempo da sua escravidão já acabou, que a sua iniquidade está perdoada.”. (Isaías 40:1-2)
“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade e cujo nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Tenho visto os caminhos do meu povo, mas vou curá-lo; também o guiarei e tonarei a dar consolação a ele e aos seus pranteadores. Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o Senhor, e eu o sararei.”. (Isaías 57:14-21)

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados, a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus, a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que choram em Sião uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, manto de louvor em vez de espírito angustiado. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para sua glória. Reconstruirão as antigas ruínas, restaurarão os lugares anteriormente destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração.”. (Isaías 61:1-4). 

Em Lucas 4:18-19, vemos que Jesus, na sinagoga de Nazaré, leu essa última profecia de Isaías e disse: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabam de ouvir”! Desde então, o Filho do Homem tomou sobre si o ministério de, na unção do Espírito Santo, anunciar as boas-novas aos pobres e abatidos de espírito e de consolar todos os que choram. Ele é o nosso Consolador e Ele mesmo é o nosso consolo.
Consolar (paraklesis) significa colocar-se ao lado de alguém para ajudar, animar, auxiliar, defender, interceder. Jesus prometeu aos seus discípulos que estaria sempre ao lado deles por meio do Consolador, o Espírito da verdade que habitaria neles (João 14:1-31). Esse era o maior temor dos discípulos naquele momento em que finalmente compreendiam que o Senhor haveria de partir, o de que ficassem sós. 

Também nós quando enfrentamos os caminhos escuros, os vales sombrios da vida, o que mais nos importa é perceber a presença do Senhor: “Tu estás comigo, tua vara e teu cajado me consolam”, escreveu Davi no Salmo 23, sobre a experiência do “vale da sombra da morte”. Jacó em fuga teve, em Betel, a revelação de que Deus estava naquele lugar. Os discípulos de Emaús caminhavam desolados após a morte de Jesus até serem animados e aquecidos pela companhia do Senhor.
É importante compreendermos a dimensão do ministério do Consoladorprometido por Jesus e que agora opera na Igreja:

- Ele está sempre conosco;
- Ele habita dentro de nós;
- Ele torna atual, viva e poderosa a presença do Pai;
- Ele atua comunicando continuamente a verdade, o poder e o amor de Deus.

Podemos, assim, ser constantemente lembrados das fontes e fundamentos do consolo que Jesus promete aos que choram:

- A certeza e experiência da paternidade de Deus;
- O amor de Deusderramado nos nossos corações;
- A convicção da soberania de Deusa governar todas as coisas;
- A misericórdia de Deusque se revela em perdão, graça, aceitação, relacionamento;

- A bondadede Deus que podemos perceber a cada instante em que vivemos;
- O propósito eterno de Deusque não poderá ser frustrado nas vidas daqueles que O amam e O buscam.

Sugiro aqui mais alguns textos sobre consolo no Novo Testamento para neles meditarmos:

Lucas 2:25-32
Atos 4:36 e outros, sobre Barnabé
Romanos 15:4-6
2ª aos Coríntios 1:3-7
2ª aos Tessalonicenses 2:16-17

Finalmente, somos chamados na Igreja para também exercermos o ministério da consolação nas vidas dos irmãos e das pessoas, exortando e animando com as promessas e as certezas que nos trazem esperança e alegria:

1ª aos Tessalonicenses 4:13-18; 5:4-11, 14
2ª aos Coríntios 13:11

         Nosso maior consolo está na esperança da vinda do Senhor, na nossa regeneração e na vida eterna com Ele, onde não existe a doença, nem a dor, nem a separação, nem o medo, mas o Seu amor e a Sua glória a tudo envolverão.
Identificamos uma profunda necessidade na Igreja e nesta geração da experiência desse consolo. Muitos choram lágrimas sem esperança, sofrem sem qualquer sentido ou promessa. Ansiedade, depressão, pânico, desespero são condições mais do que comuns em nossos dias. As pessoas as enfrentam muitas vezes sem consciência de suas causas e sem expectativas de cura e restauração. 
O sofrimento lhes parece inexplicável e invencível. Buscam paliativos ou se entregam às trevas que as cercam. É extremamente necessário que possamos encontrar esse consolo em meio às nossas próprias lágrimas e compartilharmos isso com dos demais.
         Consolar não envolve fazer promessas vazias ou dar explicações, nem mesmo trazer soluções imediatas, mas tão somente colocar-se ao lado dos que choram e trazer para essas pessoas a graça de Jesus, a presença do Espírito Santo e o amor do Pai, pelo socorro, pela oração, pelo companheirismo, pelo testemunho do consolo que nós mesmos recebemos do Pai. Oferecermo-nos como seus companheiros de jugo. 

         “Chorai com os que choram”.
         “Bem-aventurados os que choram porque serão consolados”!!

       Queridos, que o amor do Pai, as consolações do Espírito Santo e a suficiente graça de Jesus seja com todos vocês, hoje e cada dia, até a Sua Vinda.

           Venha, Senhor Jesus!

             Seu conservo e companheiro de jornada,

             Fernando Saboia Vieira 

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