sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No natal, celebramos a presença de Deus entre os homens



presença e silêncio




diante de Ti
um profundo silêncio
me invade
ainda que haja sons, palavras
e música por toda parte

mesmo quando oro
proclamo e canto
há um profundo silêncio em mim
mais musical
mais exaltado
mais intenso
do que todas as melodias, palavras
e cânticos

um silêncio que me leva a um lugar
maravilhoso
multicolorido
repleto de harmonias
de luzes, de vozes
e de seres impressionantes

eu sei que lugar é esse...
é minha casa
a morada eterna para onde vou
oh, Senhor, para onde Tu me levas...





Uma calma



Uma calma profunda
Silenciosa e acolhedora
Como uma madrugada de domingo
Como um longo entardecer
No cerrado

Uma voz que me fala sem palavras
Mas que se faz ouvir em todos os sons
E em todas as quietudes
Nas plantas, nas águas
Nos movimentos, nos ventos
Nos insetos, pássaros e animais
Nos seres alados invisíveis
Que tudo presenciam

Uma calma profunda
E silenciosa
Fecunda como o começo dos tempos
Intensa como o final de uma longa viagem
Permanente como o ser
Elevada como o amanhecer



Maio 2010, aD
Fernando Sabóia

De “Versos no Altar”


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

IGREJA: NATUREZA E PROPÓSITO, VIDA E FUNCIONAMENTO



“... põe-se vinho novo em odres novos...” (Mateus 9:14-17)

Fernando Sabóia Vieira, BsB, 2012, AD

Uma Visão Panorâmica da Igreja no Novo Testamento

         Caros,

Estamos meditando nesses últimos dias sobre natureza, propósito, vida e funcionamento da igreja. Temos compreendido que é chegado o momento de aperfeiçoar e completar o ordenamento da nossa congregação aqui em Brasília.
         Precisamos melhor estruturar os serviços de presbitério, diaconia, liderança, grupos caseiros, discipulado e outros. Temos necessidade de definições sobre formas de funcionamento, ensinos e práticas.
         Também temos sentido um intenso chamado do Senhor para amadurecimento, crescimento, frutificação, santificação e adoração.
         Assim, nos propusemos a meditar sobre como deve a Igreja se organizar, quais seus alvos, como deve ser a vida dos irmãos, como devem ser seus encontros.
         O Novo Testamento tem um modelo de organização e funcionamento para a Igreja?         O que as Escrituras nos trazem como princípios, normas e orientações para a Igreja? O que estamos fazendo está de acordo com a Bíblia? Podemos nela respaldar nossas práticas?
         São essas algumas das perguntas que têm norteado essa reflexão.
         A partir de uma leitura geral do Novo Testamento, podemos destacar as seguintes características marcantes da Igreja em seus primórdios.

A Igreja vivia, desde seu nascimento, em função de uma PROCLAMAÇÃO, de um PROPÓSITO, de uma PRESENÇA e de suas implicações em termos de qualidade de vida e de serviço de seus membros.
A PROCLAMAÇÃO era a do REINO DE DEUS, da necessidade de arrependimento e conversão, de submissão ao governo soberano do Criador e de Seu Filho. Esse havia sido o Evangelho – a boa nova – pregado por Jesus e continuava a ser o centro da vida e da pregação dos discípulos.
O PROPÓSITO ETERNO, em oculto desde a queda do homem, agora revelado plenamente por Deus, era o de ter uma FAMÍLIA de filhos com Sua natureza e caráter. A proclamação do Reino de Deus, com sua convocação ao arrependimento e conversão, tinha exatamente o objetivo de tornar os homens filhos do Pai Celeste.
Havia, destacadamente, na vida da Igreja, uma PRESENÇA viva, dinamizadora, reveladora, dirigente, santificadora, poderosa, atuante e comunicativa: o ESPÍRITO SANTO, o outro Consolador prometido por Jesus.
Em consequência da proclamação do Reino, da compreensão do propósito de Deus e da presença do Espírito Santos, homens e mulheres experimentavam uma profunda conversão pessoal, com transformação de caráter e de comportamento. Não se tratava de uma tradição ou de uma fé herdada, mas da presença vida de Deus agindo, convencendo, restaurando, salvando, chamando a uma comunhão inédita com Ele.
Dessa forma, os primeiros cristãos eram completamente comprometidos com a pregação do Evangelho como parte de suas vidas. Não havia necessidade de um envio ou comissionamento específicos. Indo, proclamavam o Reino e faziam discípulos de Jesus.
A comunidade de discípulos tinha uma vida intensa de adoração, oração, comunhão e serviço.
Os discípulos experimentavam uma qualidade de relacionamento com Deus e com os irmãos que os enchia de temor, louvor, alegria e chamava a atenção dos de fora.
A Igreja não estava presa a um determinado lugar, reunindo-se nas casas e em lugares públicos. Também não estava confinada a uma cidade, a um povo ou uma cultura, mas se espalhava por todos os lugares, povos e culturas.
Para seus encontros, a Igreja não dispunha de uma liturgia estabelecida. A adoração e a edificação eram produtos da participação promovida pela atuação do Espírito Santo na vida de cada um, sob a coordenação dos líderes.
Não havia nada parecido com um manual de normas, procedimentos e ensinos sistemáticos.
A Igreja era vivificada, dinamizada dirigida, capacitada, edificada, organizada e santificada pelo Espírito Santo. Ela era, assim, assim, mais pneumática e carismática do que humana e institucional.
Os ministérios, operações, serviços e ações eram resultantes das investiduras e capacitações do Espírito Santo.

Reino, propósito de Deus e o Espírito Santo eram os ingredientes do “vinho novo” trazido por Jesus que haveria de romper os “odres velhos” do judaísmo e produzir os “odres novos” capazes de conter sua expansão e fermentação, em termos de vida e serviço que produzem adoração, santificação, comunhão com Deus e os homens, evangelismo e edificação.

É isso que queremos experimentar. Oportunamente, compartilharemos algo mais sobre o tema.


Que a Graça de Jesus seja com o Espírito de todos.

Fernando





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Gosto de Brasília em outubro...

Passeando e poetando Brasília 

 I

As noites são femininas
Oblíquas
Os carros deslizando sinuosos
Velozes nos contornos e avenidas
Indecisos nas tesourinhas
E retornos
À sombra das árvores que cresceram
E agora dão à cidade iluminada
Sombras de floresta

 Em busca da vida
Talvez escondida
 Nas entrequadras
 Nas entrelinhas
 Dos códigos da urbe cifrada
 

II

Às vezes você se esquece de que
Eu estou Sempre aqui, de que Eu comando este dia,
Este planalto central, como todos os dias
E todos os planaltos , desde que Eu criei o tempo
E as terras

Eu comando o sol e a chuva
A alegria e o pranto
O lamento e o canto
A guerra e a paz
A ordem, o progresso e também o caos

Eu sou Todos os Poderes
Eu decreto o viver e o morrer
Em tudo sou Exaltado



III

Parece que só eu não estou aqui.
Conheço um caminho
Mas não consigo andar nele.
Penso em tudo e minha mente
Continua vazia, vagando...

Continuo vazio, perambulando
Não consigo pensar em tudo
Nesta cidade Em tudo pensada

   
IV

Do que mais gosto
Sobre a chuva
É de sua absoluta ausência
De diálogo



Fernando Sabóia, de "A Explosão de Silêncio".

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Love sonnets, prelude.



Play games, say words, watch stars.
Invent stories and live in them.
Create worlds and travel there.
Use costumes and fantasies, and dance.

Conquer what you already have.
Deserve every smile you’re granted,
Every kiss and touch you receive,
Walk around and fly, and dance.

Cherish little things, celebrate every day,
Do not be afraid of the new, of the way,
Never neglect gifts and memories, and dance.

Learn the fine art of suspending time every when,
The magic trick of being together everywhere,
The eternal transforming power of music, and dance.


Fernando Sabóia,

De "A Explosão de Silêncio"

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lições do meu Quintal para os Tempos de Seca



Companheiros de jornada,

Caíram as primeiras chuvas em Brasília, depois do nosso longo período de seca. Durante os últimos meses, compartilhei o drama das plantas do meu quintal com a estiagem, sem poder ajudar adequadamente a todas.
Aprendi, todavia, com elas, algumas lições, que se tornaram claras para mim no sábado passado, enquanto varria folhas e galhos secos abatidos ao chão pelas águas da noite anterior. São diferentes estratégias adotadas pelas plantas para travessar longos períodos de falta de chuva, que podem ser úteis para nós quando temos que passar pelas nossas próprias estações áridas.
A primeira estratégia nos é oferecida pelas grandes árvores, como os eucaliptos e mangueiras. Essas têm raízes profundas e praticamente não sofrem com a seca, já que conseguem atingir a água pura e fresca do lençol freático que corre no subsolo.
A primeira lição para nós é: aprofunde-se. Assim como sempre há água e alimento nas camadas mais profundas da terra, igualmente há no Espírito que habita em nós toda a virtude de Deus e todos os recursos para a produção do fruto espiritual. Temos que lançar as raízes de nossa vida nEle, desenvolvendo um relacionamento íntimo e constante com o Senhor. Como fazemos isso? Por meio da oração, meditação, adoração, contemplação, serviço, obediência e confissão, disciplinas que são caminhos para mais perto de Deus, para uma espiritualidade autêntica e poderosa. Quando vivemos dessa forma, temos sempre alimento e vida, independentemente das circunstâncias e das intempéries.
Outras plantas adotam um procedimento diferente: elas acumulam água durante o período de chuvas para sobreviver durante a seca. Os cactos e algumas árvores do cerrado fazem isso.
Penso aqui na importância de bem aproveitarmos o que Deus já nos tem dado, de guardar no coração as lições aprendidas, as experiências, as vitórias, a graça recebida. Essa memória da atuação do Senhor em nós, sempre atualizada pelo Espírito Santo, pode nos sustentar e alimentar nos períodos difíceis. São diversos os Salmos nas Escrituras compostos para fazer sempre presente as grandes ações do Pai a nosso favor. Podemos compor nosso próprio saltério com cânticos acerca dos feitos de Deus em nossa vida e na vida dos irmãos com quem caminhamos.
Algumas árvores atravessam o período de falta de chuvas perdendo as folhas e, dessa forma, diminuindo sua demanda por água e nutrientes. Elas passam a viver do essencial. Essa é a tática, por exemplo, do nosso flamboyant.
Que grande e valiosa lição essa! Viver do essencial, contentar-se com o que se tem, aprender que poucas coisas são necessárias, na verdade, disse Jesus, uma apenas: Ele mesmo! Devemos nos simplificar, nos desembaraçar do supérfluo. Viver das petições ensinadas por Jesus no Pai Nosso: pão, perdão, proteção contra as tentações e contra o mal, viver o Reino de Deus, fazer Sua vontade, santificar o Seu Nome.
         Finalmente, há plantas que assumem uma postura mais radical: elas praticamente morrem durante a seca e renascem, de suas sementes, quando chegam as chuvas, como acontece com a grama comum.
         Aqui também podemos aprender algo: há coisas que devemos deixar morrer em nossas vidas, renunciar completamente a elas. Podem ser bens, haveres, sonhos, sentimentos, questões que não devem chegar à próxima estação. Caso sejam da vontade do Senhor, haverão de renascer no futuro, oportunamente, talvez de uma maneira hoje inimaginável para nós: “o que os olhos não viram nem os ouvidos ouviram...”.
         Creio que precisamos utilizar todas essas estratégias para nos prepararmos para os momentos de estiagem que eventualmente tivermos que atravessar, conscientes de que é o próprio Senhor quem nos conduz a eles e quem nos sustenta durante toda a jornada, até que seja produzido o fruto que Ele quer para nós.
         Que a suficiente graça de Jesus seja com todos.

         Brasília, primeiros dias da primavera de 2012, AD.

         Fernando Sabóia Vieira

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um Pouco de Dietrich Bonhoeffer

A Comunhão Diária

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"O início do dia dos cristãos não deve ser logo carregado e perturbado com as muitas preocupações do dia de trabalho. No limiar do novo dia ergue-se o Senhor que o fez. Todas as trevas e a confusão da noite, com seus sonhos, somente recuam perante a clara luz de Jesus Cristo e sua Palavra que desperta. Diante dele foge toda inquietude, impureza, preocupação e medo. Por isso, calem-se cedo de manhã todos os pensamentos e palavras vãs, e o primeiro pensamento e a primeira palavra pertençam àquele ao qual pertence toda a nossa vida. "Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te de entre os mortos, que Cristo te iluminará" (Efésios 5:14)."
"... Há pessoas que levantam cedo por causa de inquietação e ansiedade. Isto a Escritura define como inútil: "É inútil que madrugueis, e que atraseis o vosso deitar para comer o pão com duros trabalhos (Salmo 127:2). E também há pessoas que levantam cedo por a mor a Deus. Esse era o costume das pessoas na Bíblia."

Dietrich Bonhoeffer, "Vida em Comunhão", Sinodal, 6a edição, 2006.



Sonetos de Fim de Tarde

I

chega de drama, de trama
já jogaram tudo na lama
agora ninguém mais engana
é só bagaço, caldo e cana

coragem para ler as mensagens
que deixam os astros de passagem
que exalam as plantas nas folhagens
as vozes dos profetas nas paisagens

mas não era o momento
libertou-se de todos o pensamento
a beleza fluiu com dor e incerteza

e agora só se ouviu o grande lamento
daqueles que não viram o tempo
da leveza, da canção e da gentileza

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III

o sentido do recomeço e prantos
a morte de tantas palavras e cantos
uma incerta preguiça e esperanças
o dia, a tarde, o tempo e andanças

incuravelmente romântico
razoavelmente acordado
desatinadamente quântico
educadamente calado

o movimento de tudo e a voz
o silêncio de tudo e a paz
os segredos da vida fugaz

o tempo, as águas, o giro veloz
quando tudo já estava vertido
em imensas taças de vinho antigo


Fernando Sabóia Vieira
de "A Explosão de Silêncio"