sábado, 14 de maio de 2022

Pausas de Adoração

O dom precioso da vida

 

 

Faz sol. Chove. A grama cresce.

Eu sinto o sol, absorvo a chuva, vejo a grama.

Admiro-me. Cogito. Pondero.

Adoro o Senhor diante da maravilha

De sentir, absorver, ver.

 

Por um instante participo

Sem dúvidas e sem reservas

Do incompreensível e tão simples

Mistério da vida,

E me deixo pertencer,

Me envolver,

Me integrar,

No dom mais precioso.

 

Nas cenas mais singelas,

Timidamente escondido

Nos dias que passam,

Confundido com explicações banais

Da sabedoria humana,

Está o mais desconcertante e profundo

Presente de Deus: a vida.

 

Senhor, dá-me, hoje, te adorar,

Te servir e a ti pertencer,

Como o sol, a chuva, a grama...

  

 

 

Diálogo

 

 

Não quero falar

Do que me cala

A alma

Não quero pensar

No que me pausa

O coração 

Não quero insistir

No que me perde

Os sonhos

 

Que fale minha alma calada

Que pense meu coração pausado

Que insistam meus sonhos perdidos

 

Que me ouça aquele que me ouve no silêncio

Que me compreenda aquele que já me conhece

Que encontre meus sonhos

Aquele que sonha comigo desde a eternidade

  

 

 

Viagem

 

 

Estava aqui de passagem

Mas agora entendi

Que eu mesmo sou a passagem.

 

Entre infinitas possibilidades,

Eu sou a impossibilidade

Que acontece

Nos não acontecimentos

E mergulha em si mesma

Para apenas se encontrar

E se entender

Nas sínteses dos seus encantos 

E desencantos.

 

O melhor das viagens

São as janelas.

Elas estão em toda parte

E nos mostram possibilidades,

Impossibilidades,

Encantos, desencantos,

Inéditos sentidos de adoração.

 

Mas, para celebrar na jornada

O dom preciso da vida,

É necessário abrir as janelas da alma

E deixar entrarem a luz,

A brisa, as cores, as cenas, 

Os dramas, as belezas,

Os lamentos, as canções.

 

 

 

Fernando Saboia Vieira

De "Pausas de Adoração", 2022, AD

 

 

 

 

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário