sexta-feira, 20 de março de 2026

 Sofrimento e Mentalidade do Reino

Fernando Saboia Vieira, março de 2026, AD

Mensagem compartilhada com a congregação em Brasília no encontro geral de 1o de março de 2026.


Introdução e Contexto

Queridos irmãos e irmãs, companheiros de jornada, que a graça de Jesus, suficiente e poderosa, seja com cada um de vocês.

O tema da meditação que eu queria compartilhar com vocês hoje ainda é um desdobramento do tema geral do retiro de jovens, no último feriado de carnaval.

Queremos nos referir a um aspecto do confronto que fizemos entre uma mentalidade do mundo e uma mentalidade do reino de Deus que foi mencionado em vários compartilhamentos lá no retiro e aqui no encontro geral de uma maneira implícita, mas que achamos que deveria ser destacado e abordado especificamente.

Trata-se do instigante e desafiador tema do sofrimento, particularmente no sentido de se considerar como o mundo entende e reage ao sofrimento e como nós, no reino de Deus, devemos entender o sofrimento e reagir a ele.

O Sofrimento Através da História e da Cultura

Essa é uma questão muito significativa. Uma vez li que muita coisa se pode entender sobre uma certa cultura, civilização ou geração a partir da maneira como o sofrimento é entendido e enfrentado por ela. Isso porque a postura diante do sofrimento traz em si uma série de conceitos acerca de uma visão da vida e do mundo, de transcendência, de valores, de atitudes nos conflitos e nas adversidades e perante a morte, enfim.

Não seria o caso de tratarmos aqui desses aspectos gerais, mas, sim, de considerar o nosso tempo presente, a cultura, o mundo em que nós vivemos. Por isso, proponho apenas abordarmos brevemente alguns pontos.

Primeiro, vamos pensar um pouco sobre a abrangência, a profundidade e os efeitos do sofrimento; depois, considerar algo sobre como o mundo hoje, moderno, pós-moderno ou pós-cristão, encara o sofrimento; e, terceiro, refletir acerca de como o sofrimento deve ser entendido dentro de uma mentalidade do reino de Deus.

Finalmente, precisamos nos perguntamos como reagimos, ou devemos reagir, ao sofrimento, nosso próprio e à nossa volta em situações concretas, existenciais, como filhos de Deus.

Pisando em Terra Santa

Quero, desde logo, dizer que tenho muita consciência de que esse é um daqueles assuntos em que nós estaremos a pisar terra santa.

Lembro-me da passagem lá do Gênesis, quando Deus diz a Moisés: "tire o seu calçado, porque esta terra é santa." Quer dizer, não se aproxime de qualquer jeito, com seus conceitos e pressuposições. Eu tenho consciência disso, de que esse é um terreno santo, no sentido de que tocamos coisas muito importantes, essenciais, profundas, difíceis às vezes de serem tocadas e que não devemos estar calçados com nossos próprios sapatos. A terra é santa.

Além disso, também queria expressar que talvez apenas aqui, neste ambiente, eu possa ousar dizer o que eu quero dizer, porque de alguma maneira eu conheço as dores de vocês. Não de todos, não todas as dores, mas, em alguns, eu conheço as dores de todos. E vocês conhecem as minhas, não todos na mesma proximidade, profundidade, mas, por meio de alguns, vocês também conhecem as minhas dores.

Principalmente, eu conheço a consolação que o Senhor traz para vocês, o consolo e o sustento que Deus tem proporcionado a cada um de vocês nas suas dores e lutas, ainda que eu não as conheça todas e de cada um e tão proximamente. E vocês também conhecem o consolo e o sustento que Deus tem oferecido a mim nas minhas lutas, mesmo não todos, não tão profundamente, embora às vezes eu desconfie que vocês sabem sobre mim muito mais do que eu imagino.

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É um pensamento um pouco assustador por um lado, mas, por outro, extremamente confortador, pois é apenas a graça de Jesus nos dá essa ousadia de podermos falar essas coisas. E vocês ainda estão aqui a me ouvir e suportar.

As Dimensões do Sofrimento

O tema do sofrimento é extenso, compreendendo vários aspectos, mas minha proposta aqui é abordá-lo de uma maneira mais geral, mais compreensiva, apenas para tentar compartilhar um pouco sobre a abrangência, a profundidade e os efeitos do sofrimento na vida de nós todos.

Então, não vai aqui uma classificação e uma análise detalhada ou sistematizada sobre isso, mas nós podemos pensar que existe, claro, um sofrimento físico que nos vem pelas enfermidades, debilidades e mesmo às vezes proveniente de traumas, de agressões, crimes. Se considerarmos as enfermidades, algumas delas podem ter sidos por nós herdadas ou nos acometerem por origens distintas. Afinal de contas, vivemos num mundo caído, numa natureza caída e há essa degradação geral, de um lado, a nossa mortalidade, por conta da separação de Deus e, de outro o próprio meio ambiente a produzir os agentes agressivos à nossa saúde.

E nós mesmos, como humanidade, não cooperando nada com isso, poluindo, degradando e produzindo enfermidades físicas e mentais em nossos meios sociais.

Também hoje muito falamos no sofrimento emocional, psicológico. Essas fronteiras acabam sendo fronteiras abertas, do físico paro o emocional do emocional para o físico. Essa é uma fronteira aberta, não precisa de visto para passar de lado para outro. Começamos às vezes com o sofrimento físico e aí logo estamos também sofrendo emocionalmente, ou temos um sofrimento de origem mais emocional, proveniente de conflitos, de más experiências etc. que também rebate no nosso corpo.

Um outro nível de sofrimento que a gente pode identificar é o sofrimento moral, que envolve nossos dramas de consciência, nossas escolhas e dilemas. As nossas decisões nos impõem, por vezes, sofrimentos. Eu vejo muitos jovens sofrendo exatamente porque se deparam com decisões e escolhas que precisam fazer e que causam aflições e angústias pelos riscos e incertezas que envolvem.

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Afinal, é a sua vida, a sua escolha, o eventual fracasso a que você vai se expor, enfim. Isso faz surgir um tipo sofrimento que a gente poderia chamar de moral e que pode evoluir para um sofrimento espiritual mesmo, em que você começa a sentir aquela angústia da vida, da morte, da fragilidade da existência humana, da falta de sentido.

Como dissemos, as fronteiras entre os diversos tipos de sofrimento são abertas. O sofrimento do corpo e de alma vão produzir medos, ansiedades, culpas, aflições, mágoas, ressentimentos. Tudo isso acaba pode colocar às vezes em questão a fé. E aí entra-se numa dimensão do sofrimento que é, basicamente, espiritual, porque não vemos sentido, não temos respostas.

Talvez esse seja o grande drama do mundo moderno, pós-moderno ou pós- cristão, essa dimensão propriamente do desespero num sentido profundo Essa é uma característica do existencialismo moderno, não assumida, mas ela está lá. O homem é desespero.

Então, de uma unha encravada até uma angústia existencial, você tem aí toda uma série de aspectos e de situações que se traduzem, no final das contas, em algum tipo de sofrimento, que facilmente leva a outros.

As próprias frustrações e decepções provenientes do que caos da vida, do incontrolável da existência também têm papel relevante nesses processos. Às vezes a vida da gente é muito complicada pelo ambiente em que estamos, familiar, social, político.

Outro aspecto muito importante são os relacionamentos, tanto no sentido de que nós sofremos por causa das pessoas que amamos, por nos importarmos com elas, sofremos por causa da igreja, por causa dos irmãos, por causa dos parentes, e às vezes sofremos até mesmo por causa de pessoas que mal conhecemos. E sofremos também pelas dores que os relacionamentos nos trazem, pelos danos que eventualmente nos causam. E essas podem ser dores especialmente intensas, especialmente intensas.

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A Inevitabilidade do Sofrimento e a Perspectiva do Mundo

Os sofrimentos de todo tipo estão presentes na vida e estamos sujeitos a eles. Eles são experiências comum de todas as pessoas, cristãos ou incrédulos.

Já vou dizendo aqui que não há no Novo Testamento, nem na Bíblia, nenhuma garantia de que nós, cristãos, por piedosos que sejamos, por obedientes que sejamos, por santos que sejamos, estaremos imunes ao sofrimento. Não só aquele que nos vem da perseguição do mundo por sermos cristãos, mas igualmente o que acomete a qualquer um.

Pode ser mais difícil às vezes encarar isso. Não estou sofrendo, sendo perseguido por amor a Cristo. Eu estou sofrendo como todo mundo está, peguei uma doença que todo mundo pega, aconteceu algo na minha vida que acontece com os outros e daqui a pouco eu estou na mesma fila do hospital que todo mundo está, brigando com o convênio, brigando com o serviço público de saúde, se aborrecendo com o governo.

Podemos, então, considerar nosso próximo ponto, que é como o mundo, a nossa geração vê o sofrimento e reage a ele.

Uma pergunta fundamental a ser considerada, desde logo, é aquela sobre qual a origem do sofrimento humano. E, junto com essa pergunta, vem uma outra: há algum sentido e propósito no sofrimento?

Para o mundo moderno, pós-cristão ou pós-moderno, o sofrimento é apenas produto de uma grande ironia do caos. Como, nessa perspectiva, tudo é produto do acaso, é esse acaso que nos traz, junto com os alimentos e os meios de sobrevivência, os vírus, os germes, as bactérias e todos os agentes causadores de enfermidades que estão presentes no nosso ambiente

Então, não pode haver nenhum sentido moral para o sofrimento. O próprio homem é fruto desse acaso. Toda a moral humana é relativa, é uma questão de sobrevivência, de autopreservação. Cada pessoa luta para eliminar a própria dor, para maximizar o seu bem-estar. Apenas para viver em sociedade é que são criadas regras e leis, para que não se instale um estado de selvageria que colocaria todos em risco.

Não há, tampouco, uma resposta ou sentido final para o sofrimento emocional, moral. O que há são terapias, maneiras de você tentar minimizar o seu desconforto, prolongar a sua vida, seu conforto.

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Algumas pessoas chegam a considerar que não faz nenhum sentido prolongar a vida, porque, no final das contas, há sempre uma nota de desespero em tudo

Essa visão que o mundo, que a modernidade tem do sofrimento aprofunda todos esses quadros que envolvem principalmente os sofrimentos de alma e espirituais. E ela coloca os outros aspectos do sofrimento nessa condição de dependência dos paliativos que o conhecimento humano pode oferecer até o inevitável desfecho da morte e da nulidade.

Conheço as dores de vocês, vocês conhecem as minhas. Conheço o consolo e o sustento que Deus traz a vocês. Vocês conhecem o consolo e o sustento que ele traz a nós. No entanto, estamos falando de uma geração em que estamos inseridos e não estamos imunes a essas coisas. Muitos aqui, eu sei, já experimentaram vários aspectos disso. Já andaram debaixo dessa nuvem negra, ou por conta de enfermidades ou de qualquer outra coisa que seja.

Eu sei que temos sido conduzidos e sustentados e queremos, então, pensar um pouco nisso. A maneira como o mundo encara o sofrimento acaba produzindo dúvidas, temores, revolta, alienação, autocomiseração. Enfim, conflitos de todo tipo. E porque vemos e experimentamos isso, muitas vezes também somos assaltados por esses sentimentos de dúvida e de revolta e por temores de não haja solução ou esperança adiante.

Tem uma coisa que eu tenho achado muito interessante nos últimos anos que é a redescoberta, a releitura do estoicismo, que é uma corrente filosófica grega que existia na época de Paulo. Mas a questão do estoicismo, expressa de forma simplista, é que você pode isolar todas as influências e estímulos que estão à sua volta e não deixar que atinjam ou perturbem você. Tornar-se indiferente a tudo que está à volta e não permitir que nada afete o seu discernimento, a sua conduta, suas emoções. É uma blindagem filosófica que você faz para que possa exercitar as virtudes desejadas sem perturbação, ou, como é comum na versão moderna, buscar seus próprios propósitos.

É certo que na espiritualidade cristã há algo disso, porque temos que aprender a viver no mundo como se não participássemos dele. Assim, nem nos alegramos demais com o mundo, nem sofremos demais com ele, porque tudo passa e temos um propósito eterno a alcançar. Nós, cristãos, desenvolvemos uma certa indiferença ao mundo nesse sentido aí, mas, no momento seguinte, nós nos vemos no mundo, enviados a ele, para nele viver e cumprir um chamado.

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Dessa maneira, inescapavelmente, vamos sofrer com o mundo. Evitar o sofrimento a qualquer custo não faz parte de uma espiritualidade cristã. A busca exclusiva de proteção e conforto pessoal também não. Nós seguimos a quem? Jesus. Qual foi o caminho dele? E, se vamos após ele, qual vai ser o nosso?

Eu me lembro muito do texto de Jeremias quando eu vejo esse grande mercado terapêutico aí crescendo. Não estou dizendo que está errado recorrer a ele, estou dizendo que ele pode ser insuficiente, pode não ter uma resposta final.

Como disse o profeta: "Curam superficialmente a filha do meu povo, dizendo: 'Paz, paz quando não há paz'".

A Perspectiva do Reino de Deus e a Cruz

A partir dessa verdade fundamental revelada nas Escrituras, de que o sofrimento entra na raça humana, na história humana, por meio do pecado, por conta da ruptura dos nossos primeiros pais com Deus, podemos entender como isso se reflete no homem física e emocionalmente, uma vez que, como consequência do pecado, vêm decadência, a limitação dos ciclos de vida e a morte.

Instala-se, então, toda essa bagunça no planeta. Paulo escreve que a natureza geme aguardando a manifestação da redenção dos filhos de Deus, porque toda a criação sofre debaixo do domínio do homem, que se tornou egoísta, egocêntrico, centrado em si mesmo, nos próprios interesses e necessidades. Os relacionamentos se tornam conflituosos, entre homem e mulher, pais e filhos, família, povos, nações. Toda a história humana se desenrola a partir desse fato espiritual. E uma das consequências desse fato é, exatamente, a inevitabilidade do sofrimento.

O sofrimento é inevitável e, em alguma medida, se tornou mesmo necessário para a restauração do propósito eterno de Deus.

Por que que Jesus teve que sofrer? Por que ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu? Não poderia ter sido de outra forma, ele vir aqui pleno, glorioso e vencer a tudo e a todos, e simplesmente curar todas as enfermidades e resolver todas as questões sociais, morais? Por que que ele veio como homem de dores? Por que ele precisava tomar sobre ele essas dores e sofrimentos que nos sobrevieram como consequência do pecado?

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Porque a ofensa do pecado tinha que ser resolvida diante da justiça de Deus, de sua santidade. A misericórdia de Deus se revela dessa maneira. O sofrimento se tornou necessário para Jesus. É espiritual, amados. Não adianta a gente racionalizar, psicologizar, antropologizar qualquer coisa disso. É espiritual. É um fato fundante da nossa fé que está expresso desde o Velho Testamento e se revela no Novo.

E foi escândalo, escândalo na geração e Jesus, para os judeus, e até para os seus discípulos, quando ele dizia: "vou ter que ir à cruz". Era escândalo. Para que ir à cruz? Por que eram necessárias essas dores tomadas sobre si? O sofrimento se tornou inevitável e mesmo necessário para o cumprimento do propósito eterno de Deus, de salvação e restauração da humanidade e de redenção do próprio planeta.

Para nós outros, ele também é inevitável. E nós, cristãos, em vez de sermos isentos dos sofrimentos que a todos atingem, agregamos a esses, outros. Sofremos como o mundo sofre e sofre por outras coisas pelas quais o mundo não sofre, mas que nós sofremos porque levamos as dores de Jesus. Carregamos suas aflições, isso, é ministério da igreja.

Eu tenho pensado, amados, que quando a Bíblia diz que ele tomou sobre si as nossas dores, não significa isto que as nossas dores não nos doem mais. Elas continuam, sim, doendo. Mas, há, agora uma diferença enorme. Ele está comigo. Ele compartilha comigo a minha dor. A minha dor é também a dor dele. E outra coisa, a minha dor ela não é mais necessária em termos de salvação, de santificação. Isso ele resolveu. A minha dor não é mais uma maldição do pecado na minha vida. É parte de uma jornada, de um caminho que eu preciso andar, porque Cristo precisa ser formado em mim. E não há uma maneira indolor de Cristo ser formado na gente. Não existe, amados.

Qual é o tipo de dor e sofrimento que cabe a cada um de nós? Não sei, não sei. Uns enfrentam enfermidades, outros enfrentam dores emocionais, psicológicas, morais e dores que vêm de relacionamentos, que vêm da situação da vida econômica, social, enfim. E hoje no Brasil a gente, além de tudo, sofre uma dor cívica de ver o nosso país como está. Nos causa muita dor às vezes.

E a questão, amados, é que, sem o Senhor, as nossas dores são apenas dores. Não tem esperança, não tem sentido. Talvez possamos pensar assim: o sofrimento que me acontece, eu posso vivê-lo de duas maneiras. Eu posso sofrê- lo por mim mesmo ou eu posso sofrê-lo por Jesus, porque ele tomou sobre ele aquela minha dor e ele agora caminha comigo.

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Ele está presente na minha dor para me consolar, me sustentar, me suprir. E ele sabe a medida de provação que eu preciso ou devo suportar. Ele sabe.

Eu li há muitos anos testemunho de um homem que me impressionou. Esse irmão, que morava no Canadá, numa época um pouco mais antiga, tinha uma lista de e-mails por meio da qual mandava mensagens e meditações. Com o tempo, fiquei sabendo um pouco da vida dele, que ele era cego de nascença. Cego de nascença. Já naquela época ele tinha encontrado uma ferramenta tecnológica que permitia a ele trocar mensagens por e-mail. Não sei exatamente qual era a ferramenta, nem como era. Eu sei que funcionava, porque ele escrevia e se a gente respondesse para ele, ele eventualmente também escrevia de volta. Depois essa comunicação parou em algum tempo, eu não sei como ele está hoje, mas uma vez ele, falando sobre si mesmo, usou uma expressão que eu achei muito forte. Ele disse que ter nascido cego foi muito tempo um grande problema para ele. Parecia-lhe tão aleatório, injusto. Mesmo depois de convertido, Jesus não o curou. Por quê? Para que servia isso? E a resposta que ele encontrou foi que um dia ele entendeu que essa enfermidade era parte do plano soberano de Deus para a vida dele. Tão simples quanto isso. Não era o acaso, não era uma maldição, não era um pecado oculto dele ou de alguém. Ele entendeu que aquela condição era parte do plano soberano de Deus para a vida dele. E aí ele descobriu como, daquela condição dele, Deus podia usá-lo e cooperar com seu propósito. Descobriu ali a expressão do amor de Deus por ele.

Primeiro ponto é entender isto. O sofrimento é fruto do pecado, genericamente falando. E que ele se tornou inevitável e mesmo necessário nessa restauração do propósito eterno de Deus. É parte do plano soberano de Deus para a vida de cada um de nós. O Senhor sabe e permite, e ele prefere, por vezes, me sustentar naquele caminho a me curar. Ele prefere construir algo nesse caminho.

Quero citar alguns textos. Os irmãos podem depois, ler a Segunda Carta de Paulo aos Coríntios em que o apóstolo fala bastante sobre isso, sobre levar o morrer de Cristo para que a vida de Cristo se manifeste, sobre como ele encarava todas as coisas por que ele passava, todas as aflições, todas as perseguições, todas as dores e as adversidades sem desanimar.

Hoje pela manhã coloquei no grupo da congregação um texto que eu escrevi alguns anos atrás, que um dia vai ser um subcapítulo de um livro que eu espero um dia publicar, parte de um estudo que eu chamo de "As Quatro Faces do Demônio do meio-dia", que é um ensaio sobre o desânimo, a depressão.

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Nesse texto, busco mostrar que Paulo enfrentava e encarava seus sofrimentos e adversidades como parte de um processo de transformação, de santificação, de renovação.

O homem exterior se corrompe, diz ele. Realmente, não há como evitar que ele se corrompa. Ele vai se corromper de um jeito ou outro, senão, afinal, pela velhice. Mas o homem interior, ele pode ser renovado continuamente. Só que esse é o processo espiritual, não é psicológico, não é físico, não é um suplemento que vai fazer isso, não é uma terapia que vai fazer isso. É o poder de Deus agindo em cada um de nós, à medida que nós continuamos e perseveramos na jornada, e, assim as tribulações se tornam “leves e momentâneas”. Por quê? Porque eu estou olhando para o eterno peso de glória.

Então, amados, o sofrimento não tem sentido se a gente não tiver uma revelação do eterno peso de glória. Não tem sentido. Mas, se temos essa revelação, então encontramos a esperança, o suporte, o consolo, o ânimo, que é o que mais Paulo está dizendo ali: "eu não desanimo, eu não me deixo abater, eu sei que o corpo aqui tá se acabando, não tenho muita esperança nisso, mas sei o que me aguarda ao final da jornada, e é glorioso!".

E na própria Segunda Carta aos Coríntios, pouco adiante, ele fala daquela experiência dele com espinho na carne e a conclusão da revelação de Deus para ele. Diz assim, parafraseando: "não vou te aliviar desse sofrimento. Não vou retirar o espinho. Você vai entender que a minha graça te basta".

Mais importante do que Paulo ter a experiência de uma cura, era Paulo ter experiência de que a graça de Deus é suficiente. Uma cura física, amados, tem prazo de validade. É uma sobrevida, é um milagre, é um testemunho, é glória de Deus. Oramos por isso, nos alegramos com isso, mas sabemos que o mais importante é quando esta cura física produz algo eterno e traz para as pessoas uma experiência de fé e de esperança. Jesus curava para proclamar o reino. Ele não queria a fama de curandeiro. Não era isso. Era anunciar o reino de Deus. Muitos que foram curados não foram salvos porque, afinal, não creram.

Nessa Carta, eu sempre achei interessante essa expressão quando Paulo diz assim: "Eu levo as marcas de Cristo.". Nós fomos chamados para completar o que falta do sofrimento de Jesus. Não é porque o sofrimento de Jesus não seja suficiente para salvar. É que nós precisamos nos incluir nele. Por isso Paulo sofria pela igreja, sofria pelo mundo incrédulo.

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Na Carta aos Filipenses, capítulo 1, ele se refere a isso. Ele diz que, quer pela morte, quer pela vida, Deus seria engrandecido no corpo dele. Ele estava preso, poderia ser executado ali, a qualquer hora. No entanto, afirma: "amados, eu sei que Deus vai ser engrandecido no meu corpo, quer pela morte, quer pela vida.".

E, em seguida, o apóstolo declara: "amados, porque não foi dado a vocês apenas crer em Jesus, mas também padecer por ele.".

A experiência pessoal da graça de Deus é parte do plano soberano de Deus. Amados, a compreensão disso deve ser um fundamento para nós, quando tivermos que enfrentar essas situações de sofrimento. Sofreremos apenas por nós mesmos ou pelos outros, ou sofreremos pelo Senhor? Esse sofrimento, nós o colocamos diante dele para que ele tome sobre si nossa dor e nos faça companhia nela, como nós nos unimos a ele nas suas?

Disso depende se teremos, no nosso sofrimento, suporte, consolo, esperança e aperfeiçoamento na formação da Imagem do Pai em nós.

Tentações no Meio do Sofrimento

Quero mencionar algumas tentações que podem nos acontecer quando sofremos.

Uma tentação muito forte, é a do isolamento, da solidão, que no final nos leva ao egocentrismo, ao ensimesmamento. A dor é egoísta. Se você tem uma unha encravada, você não consegue pensar em mais nada, nem no almoço, nem no jantar, nem se o país vai se acabar. A dor é egoísta. Ela exige a sua atenção. Essa é uma das tentações grande tentação no sofrimento.

As pessoas se isolam na sua dor, por várias razões, por decepção com os outros, porque acham que sofrem mais que os outros, porque pensam que ninguém ajuda mesmo ninguém... Qualquer que seja o caminho mental que a pessoa percorre, muitas vezes quem sofre busca solidão. E nós temos, por esse caminho, infelizmente, não raro, desfechos trágicos. Se isolaram na sua dor. Às vezes, fisicamente, se trancando num quarto, às vezes não, mas vivendo sozinhos a sua dor. Qualquer tipo que ela seja, pode ser fatal na solidão.

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Alguns homens têm essa característica, eu mesmo tenho, de fazer de conta que ela não existe. E você fica sozinho naquilo, tenta arrumar, tenta consertar, tentando dar um jeito sem pedir ajuda para não incomodar ninguém. É um péssimo caminho, não é? Péssimo caminho. "A minha dor é problema meu". Esse é um pensamento do mundo. Na igreja, a minha dor é a tua dor. A tua dor é a minha dor. "A minha dor é um problema meu" é mentalidade do mundo e é uma tentação, porque ela pode produzir morte.

Outra tentação, e não vou me aprofundar em cada uma desses aspectos, é a manipulação dos outros. Vocês já viram como as pessoas que sofrem facilmente se tornam manipuladoras, colocam os outros a seu serviço porque elas estão centradas nelas mesmas? Usam todo o jogo de culpa e de demanda e manipulam os outros facilmente até. É uma grande tentação do sofrimento, nos tornarmos manipuladores dos outros.

Por trás disso há um sentimento que se chama autocomiseração, aquela pena de si mesmo, que pode nos colocar num abismo cada vez mais profundo. "Minha dor não tem solução". Meu drama de alma me faz ter essa compaixão de mim mesmo. E dessa raiz brotam várias ervas venenosos, inclusive o que a gente pode caracterizar como uma soberba espiritual, síndrome de mártir. "Porque eu sofro, estou me tornando mais santo". Não, necessariamente. Depende. Você pode estar se tornando uma pessoa muito pior do que o que você era, porque está se fazendo uma pessoa manipuladora, com pena de você mesmo, uma pessoa que só consegue ver a própria enfermidade, não enxerga mais os outros. A tua dor pode estar te tornando uma pessoa muito pior do que você era.

Mas muitas pessoas, inclusive no contexto religioso, têm essa inclinação, essa visão de que a dor purifica, a dor eleva, a dor nos torna mais santos do que os outros que não sofrem. Nosso catolicismo tradicional sempre esteve impregnado disso.

Amados, depende de como você reage e encara essa dor. Se for como um troféu, como algo que te destaca diante dos outros, que te coloca acima porque te aconteceu isso, porque você enfrenta tal situação, você pode estar, de maneira sutil, tornado isso um ídolo na sua vida, erguendo um altar a você mesmo. Tem gente que não quer ser curado porque não quer sair desse pedestal. Lá ela tem todas as desculpas, todas as indulgências, todos os motivos para julgar os outros. Não quer sair dali.

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Mas a grande questão disso é que se anula a graça de Deus. Você está driblando a cruz de Cristo, porque a cruz de Cristo ela envolve dor, mas envolve restauração, ressurreição, termina em júbilo e alegria.

Caso contrário, proliferam ressentimentos, mágoas, culpas, tentações. Busca de compensação e de consolo fora do Senhor. No final das contas, a grande tentação do sofrimento é quando ele nos leva a colocar em dúvida o amor de Deus por nós e a suficiência da sua graça.

Assim, a grande tentação do sofrimento é nos fazer desviar da cruz. "Deus não me ama. A graça não é suficiente". E aí, infelizmente, nós temos várias teologias e pregações distorcidas que grassam por toda parte, misturando conceitos místicos e humanistas, que apontam para esses caminhos.

Por exemplo, aquela ideia de que todo sofrimento é maldição, de que você não pode ter nenhuma dor de cabeça, de que se algo te acontece assim é porque alguém pecou em algum lugar. E não existe isso. É uma doutrina que foi construída alguns anos atrás em relação ao aspecto da prosperidade material e que depois foi ganhando espaço em outras áreas de realização pessoal, emocional, de felicidade, coisas assim. E, no final das contas, tratam-se de mercadores da palavra, de malabaristas da fé, enganadores de todo tipo, vendendo ilusões no mercado junto com outros tantos.

O Caminho da Comunhão e do Consolo

Queria pensar, agora, amados, nos caminhos para além do sofrimento, nos quais encontraremos, na comunhão com o Senhor e com a Igreja, o consolo, o sustento, a alegria e a transformação de que necessitamos.

Jesus disse: "Felizes os que choram porque serão consolados." Mais adiante, já no final do seu ministério, ao falar claramente da necessidade de sofrer e morrer, ele disse: "olha, no mundo vocês vão passar por aflições, mas tenham bom ânimo, eu venci o mundo".

Tiago, no primeiro capítulo de sua Carta, usa aquela expressão confrontadora: "Amados, tenham por motivo de toda alegria passarem por várias provações".

Essas passagens nos remetem a uma mentalidade de reino de Deus diante do sofrimento.

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O Salmo 23 também traz essa ideia do sustento e do consolo: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo". Lá no retiro, nós fizemos uma meditação pela manhã sobre o Salmo e é muito interessante você pensar assim: "o pastor não evita que a ovelha atravesse o vale da sombra da morte, ele não dá a volta por outro caminho mais seguro e indolor, mas a protege e consola na travessia".

O Salmo começa muito legal: pastos verdejantes, águas tranquilas, veredas da justiça. Gostaríamos de permanecer neles. Mas, daqui a pouco, somos conduzidos ao vale da sombra da morte. Interessante notar que a ovelha que passa por esse caminho não está perdida. Apenas o vale está lá, no caminho.

Há, aqui, uma mudança muito impactante e significativa na linguagem do Salmo. Davi vem falando, na terceira pessoa: "o Senhor é o meu pastor". No entanto, quando ele considera o vale da sombra da morte, suas palavras se tornam uma oração direta a Deus. Ele diz: "tu estás comigo". "A tua vara e o teu cajado me consolam." Essa presença consoladora é o que faz a diferença para atravessar o vale.

Jesus disse: "Os que choram serão consolados". Mas quem traz o consolo? O Espírito Santo é o Consolador. Como é que eu leio essa bem-aventurança? “Os que choram vão ser cheios do Espírito Santo, vão ter uma visitação do Espírito Santo, uma presença especial do Espírito Santo”.

Lembramos aquele texto lindo no Salmo 30, que diz que o Senhor transforma nosso pranto em dança. E, ainda, aquela expressão de Isaías 61, o texto que Jesus cita no Evangelho: "o Espírito de Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados e curar os quebrantados de coração, para consolar todos os que choram e para trazer aos que em Sião de luto estão, óleo de alegria ao invés de pranto, vestes de louvor ao invés de espírito angustiado".

Então, amados, alguns momentos em nossa jornada, haverá alguns caminhos na alma que precisamos percorrer experimentar esse socorro do Senhor.

Um primeiro caminho é, simplesmente, suportar. Suportar. Suportar é uma experiência de amor, de amar e ser amado, porque o amor tudo suporta. É uma experiência do amor de Deus por nós. Suportar, perseverar, ser trabalhado nisso, nessas virtudes tão essenciais ao nosso aperfeiçoamento.

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Tem uma frase do C.S. Lewis, no livro dele sobre sofrimento, que talvez alguns conheçam. Ele diz assim: "Quando é preciso suportar a dor, um pouco de coragem ajuda mais do que muito conhecimento. Um pouco de simpatia humana tem mais valor do que muita coragem. E a menor expressão do amor de Deus supera tudo." Se você conseguir, no meio da sua dor, do seu sofrimento, ter essa consciência de que Deus te ama, esse amor tudo suporta e supera.

Por que pais e mães são capazes de coisas tão fantásticas pelos filhos? Porque amam. Passam noites, ficam sem comer, dão a volta no mundo, lutam. Porque amam, suportam, uma vez que o amor não pesa, torna leve a pessoa amada.

Outro caminho é o de ser sustentado, que é uma experiência de dependência e de humildade. E aqui, amados, sermos sustentados uns pelos outros é o ministério de Deus, pelo seu Espírito, e é o ministério da igreja. Nós temos que aprender a ser sustentados pelo Senhor e pelos irmãos. E muita gente tem muita dificuldade com isso. Vai aqui aquela tentação do isolamento. É uma experiência de dependência de Deus e de dependência da igreja. Depender de Deus pode ser uma frase linda, mas uma experiência difícil. Depender da igreja pode ser uma experiência ainda mais difícil para alguns, quando significa ser suportado e carregado pelos irmãos nas próprias debilidades e falhas.

A Bíblia diz para levarmos as cargas uns dos outros e, na mesma Carta aos Gálatas, também diz que cada um levará o seu próprio fardo. Como é isso? Podemos pensar que há cargas que devemos dividir e pesos que temos que levar sozinhos.

Creio que esse pensamento está correto, mas aqui me permitam uma ilustração que eu não sei se vai ser vívida para todos, porque eu não sei quantos aqui leram ou assistiram "O Senhor dos Anéis".

A história toda do Senhor dos Anéis tem a ver com o “um anel”, que precisa ser levado até a Montanha da Perdição, para ser destruído nas mesmas chamas que o forjaram. E a tarefa de levar o anel até lá cabe ao Frodo, um Hobbit, que é uma raça de gente pequena, bastante resiliente ao mal. É o Frodo que tem que levar o anel. É o fardo dele, que lhe pesa e lhe consome a alma à medida em que a jornada prossegue. Mas é ele quem tem que levar. No momento crítico, há uma cena marcante no filme, quando, bem próximo da borda do vulcão, Frodo não consegue mais caminhar, não tem mais forças para se livrar o anel. Ele não suporta mais. Nesse momento, desponta o personagem que é para mim o verdadeiro herói da trama: seu companheiro e auxiliar Samwise, que o acompanha e ajuda por todo o caminho.

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Sam diz algo assim: “eu não posso levar o anel, porque ele é o seu fardo. Mas posso carregar você". Então, ele coloca Frodo nos ombros e percorre os últimos metros até as chamas.

Amados, na igreja é assim. Ainda que você tenha que carregar o seu próprio fardo, a igreja pode carregar você, com fardo e tudo. Não tem jeito de você não levar seu fardo, mas tem como a igreja levar você junto com o seu fardo. E aí, ainda assim, pode ser que eu pessoalmente não dê conta de te carregar, de te botar no ombro, mas eu tenho companheiros que podem me ajudar a te carregar, como aqueles amigos que levaram o paralítico até diante de Jesus, pelo telhado da casa onde ele estava. Cada pega de um lado, e a gente leva você, enquanto você leva o seu fardo. O seu fardo, eu não tenho como levar por você. A tua dor é a tua dor. A tua mágoa é a tua mágoa, a tua enfermidade é a tua enfermidade. O teu drama é o teu drama. Eu não posso arrancar isso de você e tomar sobre mim, porque nem Jesus faz isso. Mas eu posso levar você, a igreja pode levar você com suas dores e pesos.

E aí vamos, prosseguimos sendo sustentados, para então sermos consolados.

Esse consolo nos vem pela experiência de uma comunhão íntima da presença do Senhor, como aquela expressa no Salmo 23, quando podemos dizer: "amado, a tua vara e o teu cajado me consolam”, em qualquer estação ou vale sombrio da tua vida.

A parte seguinte da jornada é: "preparas uma mesa perante mim na presença dos meus adversários". "Unges a minha cabeça com óleo e o meu cálice transborda". Tem uma festa para você do outro lado. Ser alegrado. O Senhor transforma o pranto em dança. A dor em adoração. Ser alegrado é espiritual, amados. Não é psicológico, não é emocional. É mais do que isso. É espiritual. Porque essa alegria está fundada na eternidade. É uma alegria que é do Senhor e eu participo dela, da festa que já está lá. Eu vou entrar na festa com dor, sem dor, carregado, sem ser carregado, carregando os outros, como for. Vou participar dessa festa e dessa alegria, porque é vitória.

E finalmente, amados, nesse caminho, seremos transformados.

Às vezes eu digo assim, que a nossa agenda é fazer a vida dar certo. A agenda de Deus é nos tornar santos. É um pouquinho diferente, né?. A minha preocupação é a vida dar certo. A agenda de Deus é me tornar um santo.

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Agora, para me tornar um santo, pegar esse carvão e transformar em diamante, é necessária uma grande uma dose de trabalho, de poder que precisa ser aplicado ali, que é, muitas vezes, o único canal, a broca suficientemente aguda para fazer essa virtude de vida penetrar em mim, e isso não é indolor. Não é indolor, mas o resultado é ser transformado na Imagem dele.

E amados, só quero, afinal, destacar que todas essas coisas, o suportar, o ser sustentado, ser consolado, alegrado e transformado, são caminhos da igreja. Não são caminhos que se percorrem individualmente, mas como corpo e família. Isso também é parte essencial de uma mentalidade do Reino. É na igreja que eu vou encontrar o sustento, o consolo, a alegria e o poder que pode me transformar e tornar meu sofrimento uma experiência em Deus e uma experiência que vai me conduzir para mais perto dele. Esperança e eternidade.

Oração Final e Bênção

Muito obrigado, Deus, porque podemos ser sustentados pela tua palavra, Senhor. E eu quero te pedir, ó Pai, em nome de Jesus, que teu Espírito Santo consolador venha visitar a cada um dos meus irmãos e irmãs aqui, cada um que leva as suas dores, os seus fardos, suas lutas, suas dúvidas, seus temores. Cada um de nós, ó Senhor, possamos receber de ti nessa manhã a certeza de que tu estás conosco, que o Senhor toma sobre si essas nossas dores para nos fazer companhia nelas, para ser o nosso ajudador, consolador, sustentador, transformador.

Quero te pedir, ó Pai, em nome de Jesus, que nenhum de nós, nenhum de nós, Senhor, ande sozinho nos seus momentos de dor e aflição. Possamos encontrar na igreja a intercessão e a oração quando nós mesmos não conseguimos orar, não temos força, Senhor, para nos colocarmos diante do Senhor.

Pai, queremos te pedir que possamos encontrar na igreja aqueles que vão nos levar, vão nos sustentar, vão interceder por nós, vão repartir conosco. Também nós, Senhor, estejamos dispostos a sermos essas pessoas na vida dos outros, na vida dos irmãos e irmãs. Ainda que eu tenha minhas próprias dores, posso ajudar os outros a levarem as suas, as cargas uns dos outros, diz a tua palavra. Eu não tenho que estar sem cargas para ajudar meus irmãos.

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Então, quero te pedir, ó Pai, em nome de Jesus, que nós possamos crescer nisso e não sucumbirmos, ó Deus, ao desespero, não sucumbirmos, ó Deus, às aflições que têm levado toda essa geração a caminhos tão tristes, tão tenebrosos, tão sem esperança, Senhor.

Ó Pai, anima a tua igreja, Senhor. Teu Espírito Santo venha e nos conduza. Esses dias, Senhor, em que nos aproximamos daquela data em que relembramos a morte e a ressurreição de Jesus, nós possamos levar isso no coração, Senhor, e encontrarmos alegria e a disposição e o ânimo para irmos ainda mais adiante, Senhor, para prosseguirmos para o alvo, experimentando o teu amor, experimentando a tua graça, a paz e a alegria que estão em ti. Oramos em nome de Jesus.

Amados, que a graça consoladora, sustentadora e poderosa de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, nosso Pai, o amor que exclui todo o medo e que nos fortalece e que nos integra, e a consolação do Espírito Santo de Deus, os seus dons, a sua presença, a sua palavra, sejam com cada um de vocês, amados, e com todo o povo de Deus que peregrinamos neste mundo, nestes tempos, agora e até que o Senhor venha, e dizemos: "Maranata! Venha, Senhor Jesus". Amém.

Seu conservo e companheiro de jornada,

Fernando Saboia Vieira 

Soli Deo Gloria
Março de 2026, AD

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