segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Poesias da estação


Manhã de outubro


Estou ainda aqui
Nesta primeira hora
Da manhã que lenta se vai
Sentado à mesa, no escritório
Em casa

Para além daquele flamboyant
Que já floresce
Neste final de outubro
O dia me chama
E me alucina
Com a harmonia e o caos

Fico mais um pouco
Tento esticar os minutos
Tomo vagarosamente meu café

Encho minha lama
Da beleza iluminada e distorcida
Brilhante e sofrida
De quadros de Van Gogh
Que desfilam na tela do computados
Ao ritmo de uma melodia pungente

Quero viver este dia
Como quem passeia
Num mundo novo e estranho
Encantado com seus mistérios
Compadecido de suas misérias


  

Reforma no Palácio


Vi que tudo envelhecia
Nos azulejos, nos carpetes
Nos mármores e nas histórias
Do palácio outrora moderno
E agora marcado pelo tempo
E pelos passos perdidos

De velho a antigo
A dignidade de andar
O caminho da história
E de lutar as lutas das eras

Aceitar o sol e a chuva
A secura e a umidade
Mas não aceitar
Os desaforos do destino
Embora vivendo nele


Fernando Saboia Vieira
de "Êxtase Azul". 






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