Oração de manhã cedo
Crescer como tudo
o que cresce
na força da tera
no calor do sol
no fluir das águas
e no movimento do ar
Te amar como tudo
o que te ama
no fruto que nasce
no menino que corre
na menina que dança
na vida que surpreende
nos gestos anônimos de coragem
e de ternura
Te servir como tudo
o que te serve
e se move à tua voz
na terra e nos céus
os seres viventes
e as coisas inanimadas
nos ciclos da vida
e nos passeios dos astros
Fernando
de "Chuvas Serôdias", 2016
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
domingo, 2 de dezembro de 2018
Versos Exilados
Página Solta
Todos vivemos
tentando manter um pouco
de lucidez, sem saber, ao certo,
de onde veio essa estranha ideia
de fazermos sentido
O mundo é obra
de um genial artista,
genial ao ponto da insanidade
Aqui, no meio da vida,
no meu escritório em casa, minha oficina
de pensamentos,
minha sala de guerra,
só o Senhor faz fluir a vida,
a vida que é o sentido dela mesma,
a vida que é ser contigo, Rei meu
e Deus meu
Daqui, vejo o Senhor e me vejo
quebrado e pequeno
num grande mundo perigoso
Daqui, saio para a luta,
não sei até quando,
mas sei que Ele vive e reina
Fernando Saboia Vieira
de "Versos Exilados", 2008.
Todos vivemos
tentando manter um pouco
de lucidez, sem saber, ao certo,
de onde veio essa estranha ideia
de fazermos sentido
O mundo é obra
de um genial artista,
genial ao ponto da insanidade
Aqui, no meio da vida,
no meu escritório em casa, minha oficina
de pensamentos,
minha sala de guerra,
só o Senhor faz fluir a vida,
a vida que é o sentido dela mesma,
a vida que é ser contigo, Rei meu
e Deus meu
Daqui, vejo o Senhor e me vejo
quebrado e pequeno
num grande mundo perigoso
Daqui, saio para a luta,
não sei até quando,
mas sei que Ele vive e reina
Fernando Saboia Vieira
de "Versos Exilados", 2008.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Melissa
Melissa, Mel e Melodia
Mais melodias, mais sabores
Mais perfumes no céu
Mais fantasias, mais amores
Mais doçuras de mel
Quero ouvir sua voz brilhar
E ver melodias no seu olhar
Quero passear em suas histórias
E um dia viver em suas memórias
Você vai ser uma abelhinha
A buscar flores e mel,
Ou uma princesinha do céu?
Você vai ser uma princesinha
Dos olhos cor de mel,
Ou uma abelhinha a voar no céu?
Fernando
Saboia Vieira
Novembro de 2018, AD
Poesias da estação
Manhã de outubro
Estou ainda aqui
Nesta primeira hora
Da manhã que lenta se vai
Sentado à mesa, no escritório
Em casa
Para além daquele flamboyant
Que já floresce
Neste final de outubro
O dia me chama
E me alucina
Com a harmonia e o caos
Fico mais um pouco
Tento esticar os minutos
Tomo vagarosamente meu café
Encho minha lama
Da beleza iluminada e distorcida
Brilhante e sofrida
De quadros de Van Gogh
Que desfilam na tela do computados
Ao ritmo de uma melodia pungente
Quero viver este dia
Como quem passeia
Num mundo novo e estranho
Encantado com seus mistérios
Compadecido de suas misérias
Reforma no Palácio
Vi que tudo envelhecia
Nos azulejos, nos carpetes
Nos mármores e nas histórias
Do palácio outrora moderno
E agora marcado pelo tempo
E pelos passos perdidos
De velho a antigo
A dignidade de andar
O caminho da história
E de lutar as lutas das eras
Aceitar o sol e a chuva
A secura e a umidade
Mas não aceitar
Os desaforos do destino
Embora vivendo nele
Fernando Saboia Vieira
de "Êxtase Azul".
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Êxtase Azul
Êxtase Azul
Me envolveu
De repente me arrebatou
Num azul imenso,
Amplo, profundo
Que não era do ar
E não era da água
Num mundo todo fluido
Denso e macio
Permeável e consistente
Não sei se voava
Não sei se nadava,
Mas tudo era movimento
Liberdade, expansão, viagem
Uma luz difusa, amena
Variações, possibilidades de sentir
De ouvir e de ver, brilhos e cintilações
Silêncio e diálogo
Uma alegria imensa
Em sorrisos e risadas
Havia alguém que estava em tudo
Em toda parte, dentro e fora
A me ver, a me ouvir, a me abraçar
E eu, desprendido de tudo
E integrado a tudo
Conscientemente rendido,
Voluntariamente atravessado,
Finalmente, senhor de mim mesmo
Fernando Saboia Vieira
Brasília, 8 de março de 2018, AD.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Ciclos
Ciclos das Terras dos Mundos e dos
Sentimentos
Ciclos
não são repetições, meros retornos ao mesmo tempo, lugar e estado. Ciclos são
reencontros, revisitações, retraduções, curvaturas da vida sobre si mesma,
dobraduras do tempo e do espaço nos caminhos da eternidade e do infinito.
Ciclos são fins que se tornam começos e começos que se tornam chegadas em novas
terras, mundos e sentimentos no inesgotável fluir criador e criativo de Deus.
Ciclos
envolvem todas as coisas, pensamentos, histórias, sonhos, emoções, razões,
façanhas e fracassos, e fazem com que todas se toquem, se interpenetrem, se
reencontrem, se reinterpretem, revelando a profunda simplicidade que abraça as
infinitudes da Realidade e da Presença.
Meus
ciclos, narrados em crônicas poéticas, minhas luzes, minhas trevas, minha
jornada, minha solidão de tudo e minha comunhão com tudo o que também cicla
comigo, em mim e à minha volta.
Brasília,
últimos dias do ano da Graça de 2017.
Fernando, como Fernando
Sabóia, como Elias
Vieira, como Dídimo
Ciclos
Rever os ciclos
Viver as formas
Pensar o ar
E flutuar na música
Que ele leva
Vivemos a voltar
De onde viemos
Onde nunca estivemos
O medo de ir
Mas o sonho de viajar
A tentação de ficar
Mas o desejo de fluir
- Eu vi um
pequeno esquilo tentando atravessar uma avenida larga e movimentada, a ir e
voltar, sem saber mais de onde vinha nem para onde ia...
A música
A música me
levou
E me trouxe
Me fez voar
levemente
Me fez andar
calmamente
Me contou
histórias
Dos silêncios
eternos da criação
Antes da Voz
tudo despertar
Sentidos
semearam palavras
No silêncio e no
coração
E ainda vou ter
que as seduzir
Até que aceitem
minhas mãos
E meus lábios,
Até que seu
sentido, som e silêncio
Se encontrem
Em letra e
melodia
A voz
A voz
Na escuridão
É luz
Que não se vê
A voz
No deserto
É caminho
Que não se faz
A voz
Na minha alma
Escura, deserta
É luz e é
caminho
Que não vejo
Que não faço
A voz cria
A voz ilumina
A voz desperta
A voz conta
histórias
De antes dos
começos
E de depois dos
fins
O tempo
Por um
brevíssimo
Momento
Eu entendi o
tempo
Mas o tempo
Não fica aí
parado
Para a gente
olhar bem
Para ele
Sei que o tempo
É o ser e o não
ser e o vir a ser
Encontrados
E separados
Eu sei porque
vi...
Café da manhã
A bebida quente
na manhã fria,
Nas mãos que
seguram a caneca,
Nos lábios que
tocam o sabor,
No corpo que se
acalma com o calor.
O sol apenas
timidamente atravessa as nuvens pensativas
E deixa o tempo
úmido, lento...
Poucos
passarinhos se atrevem na chuva fina
E a cidade
parece mais distante, menos agitada...
Tudo me envolve,
tudo me enche
E percebo, me
integro,
Conheço, sou
conhecido
Recebo, sou
recebido
Na Presença e na
Realidade
Que finalmente
compreendo
Como um só
existir
Um só respirar
Um só mover
A razão de todas
as coisas, horas e ciclos,
O sentido de
todos os seres e palavras,
A glória de
todas as estrelas e astros,
A vida, o dom
precioso da vida
Amar com o amor
do Amado
Viver a vida no
Amado
Aqui mesmo, enquanto vivemos
Nos ciclos das
águas
E dos ventos
No revolver das
entranhas da terra
No nascer e no
morrer
Em tudo, em tudo
flui o Espírito
No ser eterno de
Deus
- Na ciclagem
dos motores aflitos
Na tosse rouca
das máquinas engripadas
Nos mundos
inquietos do construir e do destruir
Em tudo, a
agonia dos homens
Na luta contra o
caos e o nada
Eu caminho no
planeta
Que gira e
orbita uma estrela morna
Que viaja numa
galáxia retorcida
Que corre
alucinada
Num universo que
passeia
Ninguém sabe por
onde...
Não gosto
Sei que se pode amar
Sem paixão
Mas não gosto
Sei que se pode
comer
Sem feijão
Mas não gosto
Sei que se pode
viver
Sem viajar
Mas não gosto
Sei que se pode
pensar
Sem emoção
Mas não gosto
Estranho amor
Estranho amor
Que mais ama
O menos amável
Que mais busca
O menos
encontrável
Que mais vê
O menos visível
Estranho amor
Que mais me quer
Quando menos eu
me quero
Que mais me
encontra
Quando mais eu
me perco
Estranho amor,
infinito amor
Na minha
estranha vida
Na minha ínfima
vida
Buscada,
encontrada
Para ser sempre
por Ti amada
Ciclo de presença e de ausência
Um pouco
distante
É verdade
Mas também
inexplicavelmente
Sereno
Completamente
Ausente
Estou fora de
tudo
De mim e do
mundo
Totalmente
Presente
Estou dentro de
tudo
De você e do mundo
Sentimentos que
tive
E perdi
Palavras que
nunca encontrei
E levo comigo
Calados,
eloquentes
Ciclos da vida e do tempo
I
Um pouco de
solenidade
Nos gestos
comuns da manhã:
Escovar os
dentes
Sentir a água
morna do banho
O primeiro toque
ameno do dia
O ritual do nó
da gravata
A primeira
lembrança da lida
Demorar um pouco
mais
Ao olhar e ver
pela janela
O sol que se
levanta
Iluminando a
chuva que cai
Fazendo brilhar
– e desaparecer –
O orvalho da
madrugada
Como inspiração
de viver
Os ciclos da
eternidade
Um pouco de
suavidade
Nas primeiras
palavras
Um certo
respeito ao silêncio
Como busca de
uma atenção
Mais clara, mais
admirada
À consciência da
Presença
II
Meus passos
andam sozinhos
Nos salões e
túneis
Por onde o tempo
não caminha
Embora nos
surpreenda
Com inesperados
percalços
E rostos jovens
E rostos
envelhecidos
Salão Negro,
solene
De festas e
velórios
Salão Branco,
funcional
Com a
inexplicável chapelaria
Sem chapéus –
sem cabeças? –
Salão Verde,
desgastado, encardido
Com sua arte
invisível, incompreendida
Perdida no meio
dos perdidos passos
Corredores
Onde correm o
bem e o mal
Profecia e
alucinação
Demônios
federais, estaduais e municipais
E um ou outro
anjo desgarrado
Numa missão
impossível
III
Na vida
É necessária uma
certa liturgia
Para que nem
tudo seja profanado
Na necessária
eficiência da rotina
Menos humanos
seremos
Se não nos
tornarmos mais divinos
IV
Havia um amor
livre, doce
Ingenuamente
alegre
Que ainda
procuro
Mesmo depois de
ter encontrado
Talvez seja ainda
Um movimento de
querer
Um sorriso e um
beijo
Como o tudo do
dia
Mas que para
incompreendido
Quase ofensivo
Nesses seres
estranhos
Que conversam
comigo
O tempo todo
Ciclos das águas e da luz
As nuvens que
passeiam
No ciclo das
águas
Os pensamentos
que fogem
Nos ciclos das
mágoas
E os corações
que morrem
No momento do
olhar
Muito pouco
Se pode ver
Quase nada
Se pode querer
Ciclos intensos
Terríveis,
imensos
Em algum lugar,
a luz
Que também é um
ciclo de energia
Em lampejos de
alegria
Nascida nos
infinitos
Dos pensamentos
de Deus
Excertos de “Ciclos das Terras dos Mundos e dos Sentimentos”
Fernando Sabóia Vieira, Brasília, 2017, A
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Gustavo Fez Trinta Anos
08 de abril de 2018
Querido filho,
Não quero falar do tempo que passou, de
que me lembro de você ainda um “Guguinha”, pendurado em mim, fazendo todas as
perguntas do mundo, se aventurando em cada desafio, em cada brincadeira... Nem
mesmo dizer o quanto seu filho me lembra você e o quanto ver vocês dois me
enche de alegria e de carinho.
Quero olhar para o futuro, para o seu
futuro e pensar se tenho algo a lhe dizer sobre o que vem adiante. Até agora,
seus desafios foram no sentido de crescer, de se desenvolver, de vencer suas
debilidades e alcançar níveis elevados de capacitação, de conhecimento, de
força, de habilidades e de liderança. Posso lhe dizer que, nos anos que virão,
seus maiores inimigos não serão seus defeitos e carências, mas suas virtudes e
capacidades. Você precisará aprender a não se deixar governar por elas, mas a
mantê-las sob o comando da fonte essencial da vida, que é a sua comunhão com
Deus. Não é porque algo pode ser feito que deverá ser feito, o conhecimento
deve se tornar sabedoria, a força precisa ser contida pela mansidão, as
habilidades devem atuar em cooperação e a liderança deve significar sujeição e
serviço.
“Como
o crisol prova a prata, e o forno, o ouro, assim, o homem é provado pelos
louvores que recebe” (Provérbios 27:21). É bem que um homem seja digno de
elogios e de admiração. Que seja reconhecido e tenha o respeito dos demais.
Esse deve ser o alvo de todos os homens que desejam glorificar a Deus em suas
vidas. Mas quando alcançamos alguma medida de sucesso perante as pessoas e nos
percebemos capazes de significativas realizações, devemos nos acautelar e nos
refugiar constantemente na Presença íntima de Deus para receber d’Ele a
aprovação ou a correção de tenhamos verdadeira necessidade. Ele nos conhece
como somos, nos ama assim mesmo e está continuamente trabalhando para formar em
nós Sua Imagem.
Você me superou em praticamente tudo.
Sei que alcançará muitas coisas e será grandemente usado por Deus. Porque sei
que continuará temente ao Senhor e consciente de sua dependência d’Ele.
Agradeço a Deus por sua vida e por sua amizade sincera, que faz com que você
sempre me diga o que vai no seu coração, com que me veja como irmão em Cristo,
sem deixar de me honrar como seu pai.
Que a graça de Jesus seja com você e
com sua linda (e crescente) família. Beijo do pai,
Fernando
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Aniversário do meu irmão Horácio
Meu irmão Horácio faz hoje 56 anos. Ficamos uma semana com a mesma idade, até o dia 19, quando recupero meus "privilégios" de irmão mais velho.
Horácio é um dos homens mais íntegros e inteligentes que conheci. E, principalmente, um dos que mais amam Jesus e Sua Palavra.
Como ninguém é perfeito, também tem seus "surtos poéticos", enfermidade que acomete vários da família.....
A teimosia
A força de tiranos opressores,
O inferno de asquerosos principados,
Os planos de sutis conspiradores,
Os rabugentos sempre ensimesmados,
Não puderam apagar do céu o azul,
Nem conspurcaram o verde do gramado.
Passarinhos voam de norte a sul,
E o vento sopra em curso inalterado.
O desabrochar da flor é invencível,
O brilho do sol fulge inalcançável,
O amor do Pai emana inexcedível,
E o reino de Jesus é inabalável.
Superando a fronteira do invisível,
Sublime além do que é mais admirável,
Paira a verdade, sempre imarcescível:
O Espírito é meu guia incomparável.
Horácio Saboia Vieira
Março de 2018
quinta-feira, 5 de abril de 2018
A Ressurreição e a Paz
São Francisco de Sales
(1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja
«Obras Completas», t. 9
«Obras Completas», t. 9
«A paz esteja convosco»
Os apóstolos e os discípulos de Nosso Senhor, quais filhos sem pai ou soldados sem capitão, tinham-se recolhido a uma casa a chorar. O Senhor apareceu-lhes para os consolar da sua aflição, dizendo-lhes: «A paz esteja convosco.» Como quem diz: «Porque chorais e vos afligis? Se é porque duvidais de que aquilo que vos prometi a propósito da minha ressurreição se realize, a paz esteja convosco, permanecei em paz, tende paz, porque Eu ressuscitei. Vede as minhas mãos, tocai as minhas feridas; sou Eu mesmo, não temais, a paz esteja convosco.» [...]
Como quem diz: «Que tendes? Vejo bem, meus apóstolos, que estais chorosos e temerosos; mas, a partir de agora, já não tendes motivo para isso, pois Eu conquistei-vos a paz que vos dou. Não é somente meu Pai que ma dá, porque sou seu Filho, fui Eu que a comprei com o meu sangue e com estas chagas que vos mostro. A partir de agora, não volteis a ser cobardes nem preguiçosos, porque terminou a guerra. Tivestes razões para temer nos dias que passaram, quando me vistes flagelado [...], abatido, coroado de espinhos, ferido da cabeça aos pés e preso à cruz. Sofri todo o tipo de opróbrios, de abandonos e de ignomínias. [...] Agora, porém, não temais, a paz esteja no vosso coração, porque saí vitorioso e dominei os meus adversários: venci o demónio, o mundo e a carne. [...] Até agora, dei-vos por diversas vezes a minha paz; agora, venho mostrar-vos como foi que a adquiri. [...] Tudo aquilo que dou àqueles que me são mais caros é a paz; por isso, recebei a paz, vós e todos os que acreditarem em Mim.»
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