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domingo, 9 de julho de 2017

Poesia para a alma


Desperta, ó minha alma



Desperta, meu coração!
O Senhor é bom hoje e para sempre!


Não se entristeça nem fique abatido 
Porque a benignidade do Senhor 
Rege a vida dos Seus servos

Não te perturbes, minha alma 
O Reino dos Céus é chegado 
E o nosso Rei está no trono

Desperta-te do sono do desânimo 
Louva ao Rei do Universo
Glorifica o Seu Santo nome
Porque grandes maravilhas tem feito


No dia da angústia, clama ao Senhor 
E Ele ajuntará suas lágrimas 
Nenhuma será desperdiçada

Pois ainda tornará o mal em bem 
O pranto em riso
E a lamentação em louvor


Persevera com alegria 
Com paciência espera

Porque a tua esperança não será frustrada, 
Assim disse o Senhor
...
Brasília, junho de 2017. 

LFS 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Simplicidade, poesia de Giogia Júnior


NADA ERA DELE

Giogia Júnior

 

 

Disse um poeta um  dia,

fazendo referência ao Mestre amado:
"o berço que Ele usou na estrebaria,

por acaso era dele? Era emprestado!

E o manso jumentinho,

que em Jerusalém chegou montado

e palmas recebeu pelo caminho,
Por acaso era dele? Era emprestado!

E o pão - o suave pão,

que foi por seu amor multiplicado

alimentando a multidão
Por acaso era dele? Era emprestado!

E os peixes que comeu junto ao lago,

ficando alimentado. Esse prato era seu? Era emprestado!

E o famoso barquinho?
Aquele barco em que ficou sentado

Mostrando à multidão qual o caminho
Por acaso era seu? Era emprestado!

E o quarto em que ceou ao lado dos discípulos

Ao lado de Judas  que o traiu, de Pedro, que o negou
Por acaso era dele? Era emprestado!

E o berço tumular, que depois do calvário foi usado

de onde havia de ressuscitar
Por acaso era dele? Era emprestado!

Enfim, nada era dele!
Mas a coroa que Ele usou na cruz era dele!
E a cruz que carregou e onde morreu,

Essas eram de fato de Jesus! "

 


Isso disse um poeta certa vez,

numa hora de busca da verdade;

mas não aceito essa filosofia

que contraria a própria realidade.

O berço, o jumentinho, o suave pão,

os peixes, o barquinho, a sepultura e o quarto

eram dele a partir da criação;

Ele os criou - assim diz a Escritura;

mas a cruz que Ele usou, a rude cruz,

a cruz tosca e mesquinha,

onde meus crimes todos expiou,

essa cruz não era sua! Essa cruz era minha!

 
Giogia Júnior

 

 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cansaço - Fernando Pessoa

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque ouço, vejo.
Confesso: é cansaço!...


"Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei..."

domingo, 13 de junho de 2010

Ser Poeta

Caros,

Resolvi abrir um espaço no blog para os poetas que me encantam, no marcador "Baú de Poesias". E, para começar, escolhi alguns testemunhos sobre o "ser poeta", com Cecília Meireles, Cruz e Sousa e Manuel Bandeira.


CECÍLIA MEIRELES


Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias
não sinto dor nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

De "Viagem".


CRUZ E SOUSA


O Assinalado


Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz com que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco...

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

De "Últimos Sonetos"



MANUEL BANDEIRA


Desencanto


Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão....
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

De "A Cinza das Horas".