Por favor, me deixem envelhecer
Quero meu cabelos poucos e brancos
Como testemunhas de lidas e lutas
De verões e invernos
Como troféus de derrotas e vitórias
Vou levar minhas marcas e rugas
Como mapas e rotas
Dos caminhos em que me perdi
E me achei
Andar devagar
Falar devagar
Olhar devagar
Pensar devagar
Viver não como quem resolve problemas
Mas como quem cogita mistérios
Não como quem decifra enigmas
Mas como quem contempla maravilhas
Contar histórias e memórias
Recordar o passado como o sentido
Do presente e a invenção do futuro
Ser conduzido, ser ensinado
No mundo novo e estranho
Que surge à minha volta
No qual sou estrangeiro e peregrino
Indiferente a tudo o que passa
Amigo de tudo o que flui
Conversar com amigos presentes e ausentes
Encontrados, lembrados e inventados
Moradores dos mundos onde minha alma
Passeia em passeios cada vez mais longos
Fernando
2021