domingo, 19 de abril de 2026

Por favor, me deixem envelhecer



Quero meu cabelos poucos e brancos

Como testemunhas de lidas e lutas

De verões e invernos

Como troféus de derrotas e vitórias


Vou levar minhas marcas e rugas

Como mapas e rotas

Dos caminhos em que me perdi

E me achei


Andar devagar

Falar devagar


Olhar devagar

Pensar devagar


Viver não como quem resolve problemas

Mas como quem cogita mistérios

Não como quem decifra enigmas

Mas como quem contempla maravilhas


Contar histórias e memórias

Recordar o passado como o sentido

Do presente e a invenção do futuro


Ser conduzido, ser ensinado

No mundo novo e estranho

Que surge à minha volta

No qual sou estrangeiro e peregrino


Indiferente a tudo o que passa

Amigo de tudo o que flui


Conversar com amigos presentes e ausentes

Encontrados, lembrados e inventados

Moradores dos mundos onde minha alma

Passeia em passeios cada vez mais longos



Fernando

2021







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