quarta-feira, 17 de junho de 2015

As Coisas em Sua Identidade


 

Thomas Merton

 

“Dizer que eu nasci no pecado é dizer que eu vim ao mundo com um falso eu.” Merton

“O pecador é um caçador de sombras”. Agostinho

 

         Uma árvore glorifica a Deus, antes de tudo, sendo uma árvore. Pois sendo o que Deus entende que ela seja, ela imita uma ideia que está em Deus e que não é distinta da essência de Deus e é essa a razão pela qual, sendo uma árvore, ela imita Deus.

         Quanto mais uma árvore se parece consigo mesma, mais ela se parece com Deus. Se ela tentasse se parecer a qualquer outra coisa que ela nunca foi destinada a ser ela se pareceria menos com Deus e, por consequência, O glorificaria menos.

         Não há dois seres criados que sejam exatamente iguais. E sua individualidade não é uma imperfeição. Ao contrário: a perfeição de cada coisa criada não consiste simplesmente na sua conformidade a um tipo abstrato, mas na sua identidade individual consigo mesma. Essa árvore particular glorificará Deus estendendo suas raízes na terra e elevando seus ramos ao ar e à luz de uma maneira que nem antes nem depois nenhuma outra árvore o fez ou fará jamais.

         Você pensa que, consideradas individualmente, as criaturas do mundo são tentativas imperfeitas de reproduzir um tipo ideal que o Criador nunca conseguiu realizar plenamente sobre a Terra? Se fosse assim, elas não O glorificariam, ao contrário, proclamariam que Ele não seria um Criador perfeito.

         É porque cada ser em particular, na sua individualidade, em sua natureza concreta e em sua entidade, com todas as suas características, todas as qualidades que lhe são próprias e sua identidade inviolável glorifica a Deus sendo exatamente o que Ele quer que ele seja, aqui e agora, nas circunstâncias prescritas para ele pelo Seu Amor e Sua Arte infinita.

          As formas e os caracteres individuais das coisas que vivem e crescem, das coisas inanimadas, dos animais, das flores e de toda a natureza constituem sua santidade aos olhos de Deus. É sendo o que elas são que elas são santas.   A beleza patusca desta ave, neste mês de abril, neste bosque, sob estas nuvens é algo consagrado a deus por Sua Arte e proclama a Sua Glória. As flores brancas deste arbusto que se pode ver por esta janela são santas. As pequenas flores amarelas que ninguém percebe à beira do caminho são santas que contemplam a Deus face a face.  Esta folha possui seu tecido caprichoso de veias e sua forma santa. Sua beleza e sua força canonizam a truta escondida nas grutas profundas dos rios. A grande montanha escapada, seminua é também uma das santas de Deus. Não existe nenhuma outra como ela. Ela é única em seu caráter, nenhuma outra neste mundo jamais a imitou ou imitará. E essa é a sua santidade.

         Mas, e você? E eu?

         Diferentemente dos animais e das árvores, não basta que sejamos conformes à nossa natureza. Não é suficiente que sejamos homens segundo nós somos. Para nós, a santidade é mais do que a natureza humana. Se não somos jamais nada além de homens, nada além do que somos por nascimento, nós não seremos santos e seremos incapazes de render a Deus o culto de nossa imitação a Ele, que é a santidade.

         É verdadeiro dizer que, para mim, a santidade consiste em ser eu mesmo; para você, a santidade consiste em você ser você mesmo, e que, em última análise, sua santidade jamais será a minha e a minha jamais será a sua, salvo no que compartilhamos do Amor e da Graça.

         Para mim, ser santo significa ser eu mesmo. O problema da santidade e da salvação consiste, então, na realidade, em encontrar quem eu sou e descobrir meu verdadeiro eu.

         As árvores e os animais não têm um problema a resolver. Deus as fez como eles são sem os consultar e estão perfeitamente satisfeitos.

         Conosco é diferente. Deus nos deixa livres para ser o que nos agrada. Nós podemos ser nós mesmos ou não sê-lo, segundo nosso alvedrio. Mas o problema é o seguinte: uma vez que apenas Deus possui o segredo de minha identidade, somente Ele pode me fazer o que eu sou, ou melhor, somente Ele pode me fazer o que serei quando, ao final das contas, eu começar a ser eu mesmo de verdade.

         As sementes que são semeadas a todo instante na minha liberdade, pela vontade de Deus, são as sementes da minha identidade, da minha realidade, da minha felicidade, da minha santidade.

         Recusá-las é tudo recusar: é a recusa da minha existência e do meu ser, de minha identidade e da minha própria essência.   Não aceitar, amar e cumprir a vontade de Deus é recusar o cumprimento da minha própria existência.

         E se eu jamais me tornar o que eu sou destinado a ser, mas permanecer sempre o que eu não sou, eu passarei a eternidade a me contradizer, sendo ao mesmo tempo qualquer coisa e nada, uma vida que quer viver e que é morte, e uma morte que quer ser morte e que não consegue alcançar sua morte porque ela é de todo modo obrigada a existir.

         Dizer que eu nasci no pecado é dizer que eu vim ao mundo com um falso eu. Eu entrei no mundo sob o signo da contradição, sendo alguém que eu jamais fui destinado a ser e, por essa razão, sendo a negação do que eu sou destinado a ser. Assim, eu entrei, ao mesmo tempo, na existência e na não existência, porque, desde o começo, eu fui algo que nunca fui.

         Para dizer a mesma coisa de uma maneira menos paradoxal: enquanto eu não for nada além do que aquilo que nasceu de minha mãe, estarei tão longe de ser a pessoa que eu deveria ser que eu poderia muito bem não existir. Na verdade, seria mesmo melhor para mim não ter nascido.

         Cada um de nós está escondido por trás de uma personalidade ilusória: um falso eu. Esse é o homem que eu mesmo desejo ser, mas que não pode existir porque Deus nada sabe dele. E ser ignorado por Deus é discrição em excesso.    Minha falsa personalidade é aquela que quer existir fora do raio da vontade e do mor de Deus – fora da realidade e fora da vida. E tal eu não pode ser mais do que um ilusão.

         Nós não somos muito bons em reconhecer ilusões e menos ainda aquelas que temos sobre nós mesmos, aquelas com as quais nascemos e que alimentas as raízes do pecado. Para muita gente no mundo, não há maior realidade subjetiva do que esse falso eu que é o seu, que não pode existir. Uma vida dedicada ao culto dessa sombra se chama uma vida de pecado.

         Todo pecado tem como ponto de partida essa convicção que meu falso eu, o eu que existe apenas em meus desejos egocêntricos, é a realidade mais fundamental de vida à qual se subordina todo o resto do universo. Assim, eu utilizo minha vida me esforçando para acumular prazeres, experiências, poder, honra, ciência e amor para revestir esse falso eu a ataviar seu nada com uma realidade objetiva.

         E eu acumulo em torno de mim minhas experiências, eu me revisto de prazeres e de glórias como de bandeirolas, a fim de me tornar perceptível a mim mesmo e ao mundo, como seu eu fosse um corpo invisível que só pode se tornar visível se algo visível recobrir sua superfície.

         Mas, sob as coisas que eu acumulei em torno de mim, não há nada substancial, nada além do vazio. E minha camuflagem de prazeres e de ambições repousa sobre o nada. São eles que me objetivam, mas seu próprio caráter fortuito os condenam à aniquilação. E, uma vez que eles desapareçam, não resta nada de mim a não seu minha nudez, meu vazio e meu nada para me revelar que eu sou um erro.

         O segredo de minha identidade está escondido no amor e na misericórdia de Deus. Mas tudo o que está em Deus é idêntico a Ele, pois sua infinita simplicidade não admite nem distinção nem divisão. É por essa razão que não posso esperar me encontrar em nenhum lugar que não seja nEle.

         Em uma palavra, a única maneira pela qual eu posso ser eu mesmo é me identificar a Ele, em quem estão escondidas a razão e a plenitude de minha existência.

         Assim, há um único problema do qual depende inteiramente minha existência, minha paz e minha felicidade: descobrir-me a mim mesmo descobrindo Deus. Se eu O encontro, eu encontro a mim mesmo, e se eu encontro meu verdadeiro eu, eu O encontrei.

         No entanto, embora isso tenha um ar muito simples, se reveste, na realidade, de uma imensa dificuldade. Se eu for, de fato, entregue a mim mesmo, isso me será inteiramente impossível. Pois, mesmo que com a ajuda de minha própria razão eu possa conhecer um pouco da existência e da natureza de Deus, não existe nenhum meio humano e racional para chegar a esse contato, a essa união com Ele, que será a descoberta de quem Ele é realmente e de quem eu sou nEle.

         Isso é algo que homem algum pode fazer por si mesmo. E nenhum homem ou coisa criada existente no universo pode ajudar nessa tarefa.

         O único que pode me ensinar a encontrar a Deus é Deus, Ele mesmo, apenas.

 

         Traduzido de “Semences de Contemplation”, Éditions du Seuil, Paris, 1952, por Fernando Sabóia Vieira.

JESUS, PASTOR DE NOSSA ALMA


 
1ª de Pedro 2:25, 5:4; Hebreus 13:20; João 10:1-18
 

(Fernando Sabóia Vieira, BsB/15)

Para minha amiga Juçara, ovelha de Jesus e também apascentadora de almas.


I – INTRODUÇÃO

          Como nós vemos as pessoas? Nossos parentes e amigos, os irmãos na fé, os colegas e conhecidos, as pessoas com quem cruzamos pelas ruas ou que vemos nas mídias, como as vemos? Distinguimos aquelas que pertencem ao reino das que são “do mundo” e consideramos essas últimas como parte de uma geração “adúltera e pecadora”?

Certamente vivemos tempos especialmente difíceis para o Cristianismo, somos parte de uma sociedade hostil a Deus. Mas não podemos nos esquecer de que Jesus viveu tempos igualmente difíceis e que Ele, mesmo assim, embora reconhecesse que as pessoas eram inimigas de Deus, pecadoras carentes de arrependimento, também as via como ovelhas sem pastor: muitas aflitas, doentes, oprimidas, cansadas, sobrecarregadas, famintas, perdidas, aterrorizadas.
 

“E Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Ao ver as multidões, Jesus sentiu grande compaixão pelas pessoas, pois que estavam aflitas e desamparadas como ovelhas que não têm pastor. Então, falou aos seus discípulos: “De fato a colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, orai ao Senhor da seara e pedi que Ele mande mais trabalhadores para a sua colheita”.” (Mateus 9:36-38).

         Deus criou o homem pleno de potencialidades a serem desenvolvidas e vividas. Colocou nele a Sua Imagem e instilou em suas narinas o Seu espírito vivificante. Foi o pecado que produziu o caos pessoal, a desintegração do indivíduo, a alienação de sua identidade e destino eternos e os conflitos de relacionamento. Também deu origem à hostilidade e decomposição da Criação, à decrepitude e à velhice de tudo o que vive. Foi esse mundo caído que Deus amou sobremaneira, ao ponto de dar seu Filho para morrer por ele. Embora a iniquidade aumente e o amor esfrie, Deus não amará menos o mundo por isso. Sua resposta à rebeldia e inimizade do homem continua sendo a graça oferecida na cruz, o chamado ao Seu Reino e à sua comunhão.
         Somos todos doentes terminais. Precisamos de salvação e de cura. Precisamos de ajuda para prosseguir e perseverar até o fim. Nossa redenção só será completa uma vez terminada nossa carreira terrena e conquistada a coroa da vida. No entanto, sem pastoreio, desanimamos, cansamos, eventualmente desistimos.
             Não nos basta saber o que fazer, ter mandamentos claros e estratégias definidas. Precisamos de ajuda com nossos pecados e nossas atrapalhações de sentimentos, de vontades e de sonhos, especialmente quando somos atingidos pelo caos das circunstâncias e dos relacionamentos, pela oposição do mundo e pela guerra espiritual em que estamos envolvidos.

         Temos enfatizado muito a porta estreita para ingresso no Reino de Deus – e essa é uma pregação crucial nos nossos dias de religiosidade vazia, de curas superficiais e de profecias ao gosto do consumidor – mas temos tido pouca ajuda oferecida para as dificuldades de andar no caminho apertado, e essa é parte essencial do ministério da igreja de fazer discípulos de Jesus, especialmente nesta nossa geração enferma, cercada de tensões, conflitos, perigos e oposições – ovelhas que não têm pastor e sequer se dão conta de sua necessidade de um.

         Temos aprendido e proclamado a necessidade imperiosa de sermos SALVOS E GOVERNADOS por Jesus. Precisamos, igualmente, aprender a sermos PASTOREADOS por Jesus.

         Nossa vida de Igreja, com a excelente restauração da prática do serviço dos santos na edificação do Corpo de Cristo, tem, por vezes, negligenciado o fato de que é Ele mesmo quem pastoreia as almas, quem alivia os cansados e sobrecarregados, quem recolhe as ovelhas perdidas, quem anima e consola os que têm o coração aflito, traz paz aos ansiosos e é a fonte de contentamento, de luz, de alegria, de vida abundante.

         Nós precisamos de ajuda para andar no caminho estreito. Precisamos de que o Pastor de nossas almas nos conduza. Não são suficientes o kerigma e a didaquê. É necessário recuperar a centralidade do relacionamento pessoal, íntimo, com o Senhor, que toque nossos pensamentos, sentimentos, vontades, idéias, imaginação, desejos. O pastoreio de nossa alma só pode ser feito por Jesus. Nem os irmãos, nem os pastores, nem os serviços e ministérios da Igreja e nem mesmo nossos melhores esforços podem produzir isso.

         Jesus tem sido muitas vezes substituído por técnicas, estratégias, serviços, métodos. Ministérios, organizações, formas de funcionamento, relacionamentos.  Mas nada disso pode, por si só, efetivamente, tocar nossa alma, produzir transformação no nosso ser interior e mudanças na nossa vida que não sejam apenas exterioridades. Há uma dimensão espiritual, sobrenatural, transcendente do relacionamento com Deus, operada diretamente pelo Espírito Santo, que não pode ser reduzida a ações humanas.

         Nós ansiamos por Deus mesmo, não por fórmulas, ritos, doutrinas, ensinos, por mais excelentes que sejam. Não nos satisfazem vitórias, bênçãos, performances espetaculares de ministros e pregadores. Infelizmente, a igreja moderna tem sido pródiga em oferecer essas coisas, tornando a vida espiritual um festival de cores, sabores e emoções, mas, paradoxalmente, mantendo as multidões famintas, sedentas, sem pastor, despedida vazia cada vez, tanto mais quanto intensa é a frustração que marca o dia seguinte a esses eventos espetaculares.

         Ao meditar no ministério de Jesus, em como Ele atingia as pessoas e as transformava, percebemos que é necessário e urgente que a Igreja do século XXI recupere a dimensão afetiva da fé, que responde à nossa necessidade existencial mais profunda de encontro e relacionamento pessoal com Deus, que se reencontre com o pastoreio de Jesus.

         A Igreja nominalmente cristã de nossos dias se divide, grosso modo, entre um emocionalismo meramente catártico, estéril de frutos, que confunde conforto psicológico com salvação e subjetivismo com verdade, e um racionalismo igualmente desértico que apenas lida com conceitos, proposições, discursos, conceitos, estratégias. Ou oscilamos entre um e outro.

         Em nosso meio, por receio dos perigos do primeiro, temos, talvez, caído na falsa segurança do segundo. Temos uma fé quase que exclusivamente propositiva, didática, dogmática e organizada, assentada mais em verdades e mandamentos do que na Pessoa que é a Verdade. Confiamos mais na doutrina do que na Presença vivificante, mais nas práticas do serviço bem ordenado de edificação dos santos do que na contemplação transformadora da face de Deus.

         Amar a Deus certamente inclui obedecer a Seus mandamentos, mas é mais do que isso. Desde o Velho Testamento, nos primeiros escritos sagrados encontramos o supremo dever de toda pessoa: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, de todas as tuas forças”.

         Todo o nosso ser está envolvido no todo amor que devemos a Deus. Essa é a lição maior dos santos e santas da Igreja, que precisa ser recuperada para que as almas famintas dos homens e mulheres desta geração possam ser apascentadas.

         Vejo essa fome e sede do cuidado pastoral de Deus em muitas das nossas modernas canções de louvor, mas tenho dúvidas de que saibamos viver essa dimensão de busca pessoal e íntima de Deus sem os intensos estímulos sensoriais desses momentos maravilhosos de adoração coletiva.

A verdade é que nosso silêncio é muito barulhento e nossa solitude muito povoada. Sem conhecer esses antigos caminhos de adoração e comunhão com Deus, a Igreja moderna tem, muitas vezes, encaminhado a profissionais as almas que Jesus mesmo quer curar, alimentar, fazer descansar, restaurar, tornar plenas em suas potencialidades. O resultado é que curas apenas superficiais são produzidas e a salvação não se torna efetiva e completa. Ilusão de conforto e bem-estar, mas não santidade.

Desde o Velho Testamento, uma das figuras do Messias, talvez não tão enfatizada quanto a de Rei e de Servo, é a de Pastor. Deus promete ao Seu povo um Pastor que cuide dele: Isaías 40:9-11; Jeremias 23:1-4; Ezequiel 34:23-24.

É possível ver a necessidade e mesmo uma carência desesperada do cuidado pastoral de Deus no meio de nossa sociedade moderna, ainda que os homens desta geração tenham cada vez menos consciência disso.

          Não foi por acaso que sugiram no último século e meio dezenas de tipos de curandeiros de alma e que a ciência racionalista e materialista tenha assumido isso como tarefa sua. Com pouquíssimo sucesso, diga-se. A despeito dos proclamados avanços do conhecimento humano, as doenças da alma se tornaram epidêmicas na virada do século.

Do lado da igreja, podemos constatar reflexos dessa crise em alguns aspectos dos recentes movimentos de avivamento e de restauração manifestados num tipo de adoração muito ligado ao sentimento e aos estímulos sensoriais: música estimulante, imagens, produções, espetáculos, pregações motivacionais, ambientes que visam proporcionar conforto emocional.

Mesmo considerando, como considero, que haja muita coisa genuína e espiritual em várias dessas manifestações, também há uma excessiva mistura, uma diversidade poluente, como é característico de nossa geração. É necessário, como pregou Jeremias, separar o precioso do vil para ser a boca de Deus.

Devemos, ainda, atentar para a advertência do profeta que viveu dias semelhantes aos nossos quanto a esse falso pastoreamento: Jeremias 2:8; 3:15; 10:21; 12:10; 23:1-4.

Precisamos aprender a andar o caminho que nos leva às águas tranqüilas, aos pastos verdejantes, onde a alma é restaurada e a Presença de Deus sentida mesmo nos lugares sombrios.

Só podemos ser conduzidos nesse caminho pelo Bom Pastor. Não o acharemos sozinhos. Não podemos andar nele sozinhos. Nenhum homem pode nos conduzir nisso: “O Senhor é o meu Pastor.”

Se nós queremos ser efetivamente pastoreados por Jesus e ajudar outros a seguir o Bom Pastor, talvez nós devamos voltar ao Evangelho e considerar o ministério pastoral de Jesus, para o compreendermos, nos submetermos a Ele como o Pastor de nossa alma e aprendermos a melhor seguir os Seus passos, tocados e cuidados por Ele.

         Esse é o tema desta mensagem. Jesus se apresenta como o Bom Pastor, como o Pastor de nossas almas. Podemos ver nos Evangelhos como Ele tratava a alma e o coração das multidões, das pessoas com quem se encontrava e dos seus discípulos.

         Não encontramos em Jesus apenas o Salvador que veio morrer na cruz em nosso lugar e o Senhor que veio restaurar a autoridade do Reino de Deus, mas encontramos a cada momento o Pastor que veio buscar as ovelhas perdidas para curá-las, alimentá-las, protegê-las e conduzi-las.

         Apenas Ele, por reunir essas três condições, pode nos trazer cura, salvação e vida abundante. O pastoreio de Jesus significa a chegada do Reino de Deus dentro de nós, no nosso ser interior, em nossa alma e espírito, atingindo nossos pensamentos, sentimentos, amores, vontades, ideias, inteligência, criatividade etc.

         O objetivo dessa meditação é perceber nos evangelhos a prática pastoral de Jesus, desde sua própria afirmação como o Bom Pastor, nos seus discursos públicos, nos seus diálogos com as pessoas, no relacionamento com seus discípulos, em suas parábolas.

Mais ainda, oramos para que essa revelação de Jesus como Pastor da nossa alma produza em nós seu efetivo pastoreio, nos resgatando, nos curando, nos alimentando, nos protegendo e nos conduzindo.

 

 

 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Manhã de Maio

Aquela manhã de maio
Amanheceu como uma salva de palmas
Verde e dourada
Encantada das harmonias filhas da música

Era como se fosse
O recomeço de todas as coisas
Sem ter sido o fim de nada

Tudo lhe dizia
Como você era bela
Como se aquela primavera
Sem época e sem estação
A queria
A cercava
Coloria-se para você
Fazia-se caminho para seus pés
Caminharem

Eu me admirei
Orei
Colhi silêncios e poesia
Vivi como minha
Quela manhã de maio
Que era para ser só sua

Fernando Sabóia Vieira
De "Sandra Poesia Sandra"

De "Sandra Poesia Sandra"

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A PESSOA BOA E PACÍFICA


 

Thomas à Kempis, a Imitação de Cristo

         Mantenha-se você mesmo em paz primeiro e depois será capaz de trazer paz aos outros. A pessoa que está em paz consigo mesma faz mais bem do que alguém que é muito instruído.  Uma pessoa conduzida por paixões conflituosas torna más as coisas boas e é muito rápida em acreditar em qualquer fofoca maliciosa com que se depara. Alguém que é bom e pacífico, no entanto, vê o lado bom de tudo. Se você estiver realmente em paz com você mesmo, você não suspeitará mal de ninguém, mas se você estiver infeliz e inquieto, você será atormentado por suspeições intermináveis; você não terá paz com você mesmo e não deixará que os outros tenham paz. Você frequentemente dirá coisas que não deveria dizer e deixará de fazer as coisas que deveria fazer. Você vai estar sempre se intrometendo nos assuntos alheios e negligenciando os seus próprios. Então, primeiro vigie cuidadosamente a você mesmo e então você poderá ter um zero legítimo por seu próximo. Você é muito propenso a encontrar justificativas e desculpas para suas próprias deficiências, mas tem muita má vontade em aceitar as explicações dos outros. Seria mais justo acusar-se a si mesmo e desculpar seu irmão e sua irmã. Se você quer que os outros o apoiem você deve apoiá-los também.

         Vê como você está longe do verdadeiro amor e humildade? Uma pessoa que ama verdadeiramente e que é de fato humilde não sabe sentir raiva ou indignação em relação aos outros e, se sentir, reconhece esses sentimentos com fraquezas sua. Não é grande coisa se associar a pessoas boas e gentis, pois isso agrada naturalmente a todos nós. Todos preferem viver em paz e todos gostam daqueles que pensam como eles. No entanto, ser capaz de viver pacificamente com as pessoas rudes e ignorantes ou com os descontrolados e opositores é uma grande graça e uma conquista muito louvável e virtuosa.

         Há algumas pessoas que são elas mesmas pacíficas e que gostam de viver em paz com os outros. Há algumas que nem têm paz nem deixam os outros terem paz, elas perturbam os outros e mais ainda perturbam a si mesmas. E há, ainda, outras que são elas mesmas pacíficas e levam os outros a reencontrarem a paz. De qualquer modo, toda a paz que nós temos nesta vida deve estar mais baseada em humilde perseverança do que na ausência de dificuldades. A pessoa que sabe prosseguir com paciência permanecerá em paz melhor do que qualquer outra. Tal pessoa é um conquistador de si mesmo e um mestre do mundo, um amigo de Jesus e herdeiro do céu.

         Tradução de Fernando Sabóia Vieira        

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Vida e a Poesia


Não sou alegre, nem sou triste: sou poeta" Cecília Meireles


I

Vivo e poetizo
A vida
Só

Poetizo e vivo
A poesia
Só

No começo
Era romântico
Vida e poesia
Só

Depois
Era doloroso
Poesia e vida
Só

Agora, finalmente,
Vivo a poesia
Poetizo a vida
Sem romance
E sem dor
Apenas só

II

Sigo a vida
Como se tudo existisse
Fizesse sentido
E eu também

Não sei mais exatamente
Onde estou
Desde que comecei a pensar
A sentir e a perguntar

A beleza faz sentido
Amar faz sentido, mas
Também a dor e a solidão

Sigo a vida buscando
A beleza e o amor
Embora a solidão e a dor

III

Enquanto houver a poesia
Ou nas palavras, ou nos olhares
Ou nos amores, ou nos andares
Ou na dor ou na alegria

Enquanto eu puder por aqui passar
Sem me lembrar do que se foi ou será
Enquanto a saudade e o desejo puderem
Nesse longo caminho se encontrar

Vou seguindo a vida e a poesia
Vou entre a beleza e a carestia
Vou falando e vou me calando

De tudo o que sei e já me esqueci
De tudo o que tenho e já perdi
Enquanto houver o tempo e o canto
 

Fernando Sabóia Vieira
De “Meu caminho coberto de flores de ipê roxo”.

sábado, 28 de março de 2015

Tio Horacio

Homenagem ao tio Horácio Dídimo
(Fernando Sabóia Vieira)

Crescemos, eu e meus irmãos, lendo a poesia do tio Horácio. Os versos simples na forma permitiam que, mesmo crianças, lêssemos e gostássemos, embora, certamente, naquele tempo, não pudéssemos alcançar a profundidade da sabedoria e o refinamento do humor que expressam. Mas nos encantavam. Podíamos sentir a beleza dos sonhos que os inspiravam, algo de dor e de alegria sempre misturadas com um toque de leveza, de graça.
No dia em que ele completa 80 anos de idade, nossahomenagem ao tio Horácio.


tempo de barro

o tempo é barro nas mãos do Oleiro
que faz novas todas as coisas
e nos dá hoje o dom de continuar
recomeçando
como a chuva que tudo renasce
e nos concede a graça
de ainda dizer palavras
que são companheiras nas ausências
e que fazem estrelas azuis brilharem
nos céus da poesia
pela primeira vez, mais uma vez


o menino e a poesia

o menino
se escondeu atrás das portas
dos sofás
dos deveres da escola
das mesas de escritório
das rotinas da vida dos adultos
e continuou perguntando tudo
bulindo em tudo
cutucando os poeminhas 
que cochilavam pelos cantos

entre a Palavra incontrolável
e as palavrinhas amestradas
o menino poeta se esconde
e aparece de repente
dando susto em todo mundo
fazendo todo mundo rir

Tio, que Jesus lhe conceda ainda muitas palavras para que novas estrelas venham a brilhar nesses céus, cada dia mais opacos, de nossa humanidade, que caminha rapidamente para a última noite e o último Alvorecer.
​De toda sua família brasiliense.

A graça do Senhor Jesus seja com todos.

​Fernando

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ano Novo

Caros companheiros de jornada em busca da vida interior,

Republico esse singelo poema que me acompanha há duas décadas.



Ano Novo
“Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim...”

Não começar nada
Sem Aquele que é o Começo de tudo
O Princípio
O Renovo
O Alfa
A Sabedoria da criação

Não continuar nada
Sem Aquele que é o Sentido de tudo
A Palavra
A Força
A Alegria
O Dom de existir

Não alcançar nada
Sem Aquele que é o Fim de tudo
O Alvo
O Destino
O Ômega
A Vida abundante

Fernando Sabóia Vieira
De “Café com Poesia”, meados da década de 90.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O nascimento de Jesus, morte da morte

São Basílio - O nascimento de Jesus, morte da morte.


São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia para o nascimento de Cristo, 2,6; PG 31, 1459

O nascimento do Salvador, morte da morte

Deus na terra, Deus entre os homens! Já não é Aquele que dá a sua Lei no meio dos relâmpagos, ao som da trombeta, no alto da montanha fumegante, na obscuridade de uma trovoada aterradora (Ex 19,18), mas Aquele que se relaciona com doçura e bondade, num corpo humano, com os seus irmãos. Deus na nossa carne! Já não é Aquele que age apenas em alguns momentos, como fazia com os profetas, mas Aquele que assume plenamente a natureza humana e que, pela sua carne que é a nossa carne, eleva a Si todos os homens.


Como foi que a luz veio a todos por um só? De que maneira está a divindade na carne? Está como o fogo no ferro […]: permanecendo no seu lugar, o fogo comunica ao ferro o seu ardor próprio; e, sem ficar diminuído, enche por completo o ferro ao qual se comunica. Da mesma forma, Deus, o Verbo que «habitou entre nós», não saiu de Si mesmo; o Verbo que Se fez carne não Se submeteu à mudança; o Céu não ficou privado daquele que o continha e a terra acolheu Aquele está no Céu. […]


Entra plenamente neste mistério: Deus veio à carne para matar a morte que nela se escondia. Assim como os medicamentos nos curam logo que são assimilados pelo corpo, assim como a obscuridade que reina numa casa se dissipa quando a luz lá entra, assim também a morte que nos tinha em seu poder foi anulada pela vinda do nosso Deus. Assim como o gelo formado durante a noite se funde sob o calor dos raios solares, assim também a morte reinou até à manifestação de Cristo. Mas logo que o Sol de justiça se elevou (Mal 3,20), «a morte foi absorvida pela vitória» (1Cor 15,54), pois não podia suportar a presença da verdadeira vida. […] Demos glória com os pastores, dancemos em coro com os anjos «pois um Salvador nos nasceu hoje, que é Cristo Senhor» (Lc 2, 11). […] Festejemos a salvação do mundo, o dia do nascimento de toda a humanidade.





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

“Não impeçam as criancinhas, pois delas é o reino de Deus”


 
 
     Irmãos queridos,

 
     Essa frase de Jesus está em um bem conhecido e muito citado texto registrado nos três Evangelhos sinóticos – Mateus 19:13-15; Lucas 18:15-17 e Marcos 10:13-16.

     Alguns detalhes chamam nossa atenção nesse gentil episódio da vida de Jesus: sua “indignação” com os que estavam impedindo o acesso das crianças a ele; a declaração de que o reino dos céus pertence a elas e a afirmação enfática de que quem não receber o reino como uma delas não terá acesso a ele.

     Quero comentar os dois primeiros desses aspectos, o de que o Reino pertence às crianças e o de que não devemos impedi-las de ir até o Senhor.

     Um ensino bem estabelecido na Igreja, fundamental mesmo, é o da malignidade natural do homem por causa do pecado. Quando consideramos a educação dos filhos e a formação das crianças levamos isso muito seriamente em conta, uma vez que essa tendência ou inclinação para o mal precisa ser corrigida e que é necessário que cada uma se arrependa e se converta.

     No entanto, nesse texto, Jesus afirma outro fato que também deve ser considerado em relação às crianças, sob pena de sermos contados entre os que as “impedem” de ir até o Senhor. É que elas, mesmo tendo nascido no pecado, pertencem naturalmente ao Reino. Devemos nos lembrar de que a natureza humana não é maligna em sua origem criacional. Ela foi corrompida, distorcida, deformada pelo pecado, mas não completamente destruída em sua imagem e semelhança de Deus. E, como afirmamos, o propósito eterno de Deus é exatamente dar plenitude a essa imago Dei, restaurando o que foi perdido com o pecado e levando o homem à comunhão completa e sem obstáculos com seu Criador.

     Assim, se toda criança tem uma inclinação natural para o mal, tem, mais forte e fundamentalmente ainda, uma potencialidade espiritual para o bem, porque foi criada por Deus para isso, para compartilhar Sua Natureza e Sua Vida, em comunhão com Ele. Uma diferença é que enquanto o mal, na nossa presente condição, é natural, o bem deve ser aprendido.

     Na formação das crianças e educação dos filhos é necessário conter a inclinação natural para o mal. No entanto, mais importante do que isso, creio, é despertar, estimular, exercitar e tornar plenamente vivido o potencial espiritual para a verdade, para o bem, para a santidade. É nesse sentido que entendo as palavras de Jesus de que às crianças pertence o Reino e de que nós não devemos impedir, atrapalhar, embaraçar o caminho delas até o Senhor.

     As crianças que nascem na Igreja ou que são a ela conduzidas devem ser, antes de tudo, formadas, educadas, instruídas para que cresçam em “sabedoria, estatura e graça” (Lucas 2:40), aprendendo, desde cedo, as “sagradas letras” que podem torná-las “sábias para a salvação” (2ª a Timóteo 3:14-17). Nosso enfoque principal deve ser a formação, a instrução, a educação. A conversão é um trabalho do Espírito Santo com o qual cooperamos cumprindo nossos papéis e não as “impedindo” de ir a Jesus por nossa negligência e erros.

     Mas de que maneiras nós podemos “impedir” as crianças de conhecerem Jesus? Quero sugerir alguns pontos inicias para reflexão. A maior parte deles se expressa como paradoxos, destacando princípios que concorrem ou mesmo se contrapõem, nos obrigando à reflexão, oração, conselho e dependência de Deus para alcançar a sabedoria necessária para lidar com situações concretas.

     Destaco que são apenas tópicos enunciados e ainda não desenvolvidos. Espero que possam ser úteis para nossas conversar sobre o tema.
 

IMPEDIMOS AS CRIANÇAS DE IREM ATÉ JESUS:
 

1. Quando não damos a elas a instrução necessária nas sagradas letras, mesmo quando as instruímos em tantas outras coisas úteis para a vida.

 

2. Quando não somos exemplos, não somos imitáveis, apesar de nossos erros e imperfeições. A busca de sermos exemplos não pode nos levar a sermos hipócritas. O reconhecimento de nossos pecados e erros não nos exime da obrigação de sermos exemplos para nossos filhos.

 

3. Quando não as incluímos na vida da Igreja, mesmo quando a Igreja se mostra imperfeita e cheia de falhas. Muitos pais cometem o erro de pretender “proteger” os filhos dos erros da Igreja e os levam a uma atitude de rejeição do Corpo ao qual devem pertencer.

 

4. Quando não as criamos para o Reino, mas para a vida no mundo, para nós mesmos ou para elas mesmas. Isso tem a ver com a formação de uma mentalidade, de valores, virtudes, atitudes, aptidões etc.

 

5. Quando não lhes damos um ambiente de liberdade para conhecer, se expressar, experimentar, examinar, perguntar, responder, exercitar suas faculdades, sem perder o foco no propósito de Deus. Instruir, formar e educar são diferentes de domesticar e adestrar. Amar, que é o propósito final de tudo, pressupõe liberdade. Só os seres livres amam.

 

6. Quando não as protegemos suficientemente e quando as protegemos demasiadamente. As crianças não devem ser expostas a situações com as quais não estejam prontas a lidar, mas devem ser preparadas para, quando adultas, lidarem com quaisquer situações, o que só se pode aprender no exercício prático, nas provações que forjam o caráter.

 

7. Quando queremos determinar seu futuro (ministério, profissão, casamento etc) e quando nos omitimos em aconselhá-las e orientá-las quanto ao seu futuro.

 

8. Quando fazemos delas o sentido de nossas vidas e quando nos fazemos o sentido da vida delas. Os filhos não devem criados como se fossem o centro da família nem como se os pais fossem o centro da família. Deve ser sempre claro para todos que o centro é Jesus.

 

9. Quando não aceitamos com paz e alegria a mudança de nosso papel em suas vidas ao longo do tempo, especialmente a diminuição de nossa autoridade e controle sobre eles.

 

10.        Quando as tratamos como eternas crianças e quando as tratamos como mini adultos. As crianças são pessoas em formação. É importante respeitar casa fase e trabalhar para que prossigam no seu desenvolvimento.

 

11.        Quando supomos que nunca vamos errar, e não nos preparamos para lidar com os erros, e quando consideramos os erros inevitáveis e não trabalhamos para que não ocorram ou não se repitam.

 

12.        Quando não as amamos incondicionalmente e quando deixamos de manifestar a luz de Deus em suas vidas: a verdade com amor, o amor se alegra com a verdade, graça e verdade.

 

Amados irmãos, companheiros de jornada. Não que a tarefa seja simples. Em verdade, ela está muito além de nossas possibilidades. Por isso, é fundamental que nos lembremos de que estamos apenas cooperando com um projeto que tem como idealizador e realizador o Deus Altíssimo, Criador e Sustentador de todas as coisas, que age em tudo e em todos e nos concedeu o Seu Espírito Santo para nos santificar e capacitar.

Espero seus comentários, ponderações, correções.

“A graça de Jesus seja com todos” (Apocalipse 21:21).

 
Brasília, no dia das crianças de 2014, AD.

Fernando Sabóia Vieira